Ainda pela capital do Laos, Vientiane! Decidimos ficar mais uma noite no mesmo hostel porque as panquecas do pequeno almoço nos convenceram! (Incluído!) 🙂 Backpackers Garden Hostel, vale também pelo pessoal vietnamita simpático que lá trabalha e o ambiente totally relax! Fim! 🙂

Ontem o dia começou com uma corrida aos costureiros da capital!
Os calções do João precisaram de remendo mas ninguém queria o trabalho ou então pediam muitos Kip…se lhe emprestassem a máquina, ele próprio cosia! :p Só na terceira tentativa, ficámos satisfeitos, nós e a senhora que até parou de almoçar para nos atender! Problema resolvido! 🙂
Visitar o Buddha Park, perto de Vientiane
Programámos o dia para visitar o Buddha Park, que fica a 25 km da cidade. Existem duas maneiras de chegar lá: numa tour que qualquer casa de viagens vende em minibus que custa 70.000 Kip (mais que a a viagem de Vang Vieng para cá que é o dobro da distância), ou o autocarro local número 14 que custa 6.000 Kip para cada lado! Hmmm, pareceu-nos óbvio! 🙂
Fomos a pé até à estação principal de Vientiane, na zona de Talat Sao, e apanhámos o autocarro 14 que pára mesmo à porta do Buddha Park, e que até tem AC! Foi só mesmo esperar que enchesse para partir! 🙂

O Buddha Park não desilude, mas até é vendido como atracção secundária da cidade. Fica a nossa opinião, vale MESMO a pena!
Construído junto ao rio Mekong é bem capaz de ser a atracção mais extravagante do país. Uma colecção de esculturas em cimento feita por Boonlua, nos anos 50 como forma de espalhar a sua filosofia sobre a vida e o cosmos.



Seguidor do Budismo e o Hinduísmo, o parque tem as mais variadas esculturas de uma e de outra religião, budas e dezenas de deuses hindus, e outras mais extravagantes como uma abóbora gigante com vários andares, em que o primeiro simboliza o inferno, o segundo a terra e o terceiro o céu, e na qual se pode subir pelo interior até ao terraço, depois de entrar por uma gigante bocarra. Impressionou-nos!
Parece que o Boonlua teve de fugir para a Tailândia depois da revolução, e lá, em Nong Khai fez um parque ainda mais elaborado. Ficámos curiosos…




A visita ao parque ainda é demorada e estava um calor impressionante para andar a subir e a descer esculturas, mas não nos fizemos de esquisitos.

Almoçámos no restaurante do parque virados para o rio, um Fried Rice with chicken, para não variar, e voltámos para a entrada do parque onde em 15 minutos chegou o autocarro 14 que nos trouxe de volta à cidade por mais 6000 kip, cerca de 0,60 cêntimos de euro! Fácil! 🙂
O visto para o Vietname
Eram horas de ir buscar os passaportes e vistos à Embaixada do Vietname. Podem pedir-se a qualquer hora, entre as 8 e as 17h mas para os levantar dão apenas 30 minutos: entre as 17h e as 17h30! A Embaixada estava cheia de turistas, tudo à espera do mesmo: visto para entrar no Vietname! Às 17h10 lá vem o homem carregadinho de passaportes de várias cores. Um austríaco não levou o recibo de levantamento, um outro queixava-se que a Embaixada lhe perdeu o passaporte… Bom, os nossos vistos e passaportes, tudo ok! Era o início da despedida do Laos, com Hanói à vista! 🙂

Como estávamos a meio caminho, continuámos para o That Luang, o lugar mais sagrado do Laos. No lugar de uma stupa budista do século XVI que entretanto desapareceu, foi construída uma imponente stupa dourada com 45 metros de altura. Tem um museu que fecha às 4 da tarde e não conseguimos visitar… Mas o passeio ao por do sol foi bem agradável! Até ao momento, que aqui tem acontecido muito, em que o sol desaparece, fica escuro de imediato, levanta-se muito vento do nada e vemos tudo a arrumar as barracas… Vem lá chuva, e da grossa! A chuva era tanta que mesmo com ponchos chegámos encharcados ao Hostel.



Seguiram-se umas horas, e uma noite inteira de sono a pensar sobre como, quando e para onde ir no Vietname e só esta manhã decidimos como vamos prosseguir a nossa viagem. O plano inicial de apanhar o autocarro de 24 horas é descrito em todos os blogs como “the journey from hell”, mas o valor dessa viagem de autocarro compensaria…? Nunca saberemos pois esta manhã comprámos a viagem no site da Vietname Airlines, chegamos hoje a Hanói no voo das 21h. 😉
COPE Visitor Center
O que faltava então ver em Vientiane? Apanhámos um Tuk Tuk para o COPE Visitor Center, o Centro de Reabilitação do Laos que tem também um espaço dedicado às UXO (Unexploded Ordnance), ou seja todas as minas ou bombas por explodir que ainda existem em mais de um terço do território do Laos, e que matam pelo menos 1000 pessoas e ferem o dobro todos os anos. Apesar de pequeno, o espaço está muito bem organizado e com muita informação relevante sobre este flagelo que afecta diariamente a vida de adultos e crianças, principalmente nas zonas rurais do país.


Podem ver-se fotos e alguns exemplares dos vários tipos de explosivos existentes, vídeos com documentários e relatos de casos reais, o processo de criação de próteses e várias próteses artesanais, mas o que mais nos fez sentir o que é na realidade perder um membro, foi fazer a experiência da dor fantasma, uma dor ou sensação que é comum sentir-se no lugar do membro amputado. O que é esta experiência? Consiste em pormos cada um dos nossos braços dentro de uma caixa de madeira que tem um espelho virado para cada um deles. Ao levantar o topo de um dos lados, por exemplo do esquerdo, vemos o braço esquerdo e o reflexo do mesmo braço do lado oposto, como se fosse o direito. Ao mexermos o braço, esquerdo, parece-nos que o braço direito mexe também, mas sentimos que não! E se mexermos o braço direito, não o vemos a mexer! Qualquer um dos casos é uma sensação muito estranha! Mas, é um método de alívio de algumas dores, comichões ou outras sensações fantasma, em pessoa com braços amputados, e pode ajudar a uma adaptação mais rápida às próteses.

Mesmo à saída da exposição, está um mapa com os locais onde os Estados Unidos fizeram os mais de 580000 bombardeamentos no Laos, o que também impressiona! A entrada para o COPE Center é gratuita, mas pode-se e deve-se fazer um donativo comprando um souvenir. O Centro impressionou-nos e deixou-nos pensativos. São sítios como estes e como, por exemplo, Auschwitz que nos permitem lembrar (ou não esquecer) do mal que a Humanidade consegue fazer. Felizmente, aqui pelas cidades e vilas do Sudeste Asiático temos sentido diariamente o bem que também existe no mundo! 🙂

Wat Sisaket, Vientiane
Antes de almoço, ainda tivemos finalmente a oportunidade de comer um ananás bebé, que parecia ter açúcar, e com as energias repostas fomos ver o Wat Sisaket, o mais antigo templo de Vientiane. Não está muito bem conservado, mas por 5000 Kip de entrada vale a pena visitar para ver a colecção de mini estatuetas de Buddhas dentro das várias paredes do Templo.


Deu mais que tempo para visitar Vientiane, e estar agora a beber um yoghurt shake de morango geladinho num café alemão bem perto do nosso hostel de onde sairemos para o aeroporto daqui a umas horas.
Laos vai ficar no nosso coração! Vemo-nos no Vietname! 🙂
2 comentários
Espetacular e impressionante!!!!
Deixaram-nos um belo relato de Laos. Boa viagem até ao Vietname 🙂