“Estas férias estão a ser muito radicais!” disse a Joana hoje a meio da tarde…Mas já lá vamos. Ontem não fizemos nenhum! Até parecia que era Sábado depois de uma semana de trabalho intensivo mas não, foi mesmo preguiça, e a chuva também não ajudou. Acordámos tarde, ficámos pela Guesthouse, a arrastar-nos entre o nosso quarto, o nosso alpendre e o hall de entrada (ao ar livre), onde até o nosso anfitrião ajudou à festa!

A meio da tarde ainda fomos passear até ao templo Wat Sisoumang perto do nosso hotel. De repente, começou a chover torrencialmente e abrigámo-nos debaixo de uma árvore, mas rapidamente um monge veio convidar-nos a irmos para dentro de uma área coberta do templo, onde ficámos até parar de chover.


Para o jantar decidimos que, após quase três semanas, era altura de comermos uma refeição não Asiática. Andámos pela cidade e acabámos num Irish Bar, onde estavam a passar clássicos dos anos 70/80, e que servia uns Hambúrgers com muito bom aspecto. E não era só o aspecto, estavam realmente bons! Ou isso, ou nós já estávamos realmente necessitados de comida diferente! Para terminar a nossa refeição Ocidental, partilhámos um “Chocolate Cake com gelado e melancia” para sobremesa. Foi uma refeição mais cara que o normal, mas bem merecida! 🙂

E hoje, depois de um Sábado tão relaxado foi dia de aventura! À volta de Vang Vieng, no interior das montanhas e também no rio existem mais de uma dezena de cavernas que podem ser visitadas. Algumas a nado, outras a pé e algumas até podem ser visitadas a fazer Tubing! Tínhamos planeado alugar uma scooter para dar uma volta e visitar algumas das cavernas, e também a Blue Lagoon. Mas depois de irmos bater à porta de umas quantas lojas que alugavam, chegámos à conclusão que ou deixávamos o passaporte, ou nada feito. “Same same” disse-nos uma das senhoras, para explicar que em todo o lado precisávamos de deixar o passaporte. Esta é uma expressão que estamos sempre a ouvir e que até se vê em t-shirts à venda, e quer dizer nada mais, nada menos que “o mesmo, o mesmo”. A nossa última esperança era o nosso “amigo” da Guesthouse, que apesar de levar mais 10000 Kip que os outros, podia ser que não quisesse o passaporte. E assim foi! Arranjou-nos uma Honda Click 125 (a nossa favorita) com pneus de offroad (!) e lá fomos nós para mais um dia motard.

Seguindo a sugestão do nosso anfitrião, a primeira paragem foi no Vang Vieng Resort, que tem lá dentro a nascente e gruta de Tham Chang. E foi uma óptima sugestão, o sítio era muito verde e arranjado, e a água era muito limpa e cristalina, das mais translúcidas que temos visto. Como o dia ainda não estava muito quente, não custou muito a entrar na água, mas estava bem fresca! Um local, que também estava a tomar banho ali, disse-me para entrar pela nascente adentro que ia encontrar umas cavernas. Agarrei na lanterna, que ainda bem que é à prova de água, e lá fui eu!

Easier said than done…! A corrente era forte e eu nadava mas parecia que estava parado. Depois de algum esforço lá consegui nadar uns metros para o interior da nascente. Estava num túnel com várias reentrâncias, e com alguns buracos no tecto que deixavam entrar a luz. Continuei pelo túnel, meio a nadar meio agarrado às paredes a tentar fazer escalada na horizontal, e fui dar a uma gruta. A nossa máquina não é à prova de água, por isso não temos como mostrar, mas era uma gruta de dimensão média, com uma piscina de água cristalina lá dentro. Ao fundo, o túnel tinha continuação por isso enchi-me de coragem e comecei a nadar para lá, até que de repente, uma cãibra na perna…e pronto, a minha sessão de espeleologia aquática acabou por ali. 🙂 Em Tham Chang também existem cavernas no meio da montanha mas como ainda tinha a perna dorida para subir a escadaria, já era quase hora de almoço e íamos ver mais cavernas de tarde, decidimos não (pagar para) ver estas. E pelas imagens que entretanto vimos fizemos bem, porque já estão muito “trabalhadas” para os turistas.

Seguimos na nossa scooter em direcção à Blue Lagoon e no mapa tínhamos visto que deveríamos passar numa “Toll bridge”, ou seja, ponte com portagem. Isto, na nossa ingénua mentalidade europeia não fazia muito sentido, até porque o rio não tem mais de 100 metros de largura e por isso a palavra Toll poderia querer dizer outra coisa neste contexto…não, era memo uma portagem! 10000kip ida e volta. Felizmente já cá estamos há uns dias e já conhecemos os cantos à casa. Demos meia volta e fomos atravessar na tal ponte de madeira, meio para peões, meio para scooters que falámos no outro dia!
Atravessada a ponte, esperavam-nos 13km de estrada de terra batida com buracos, pedras e lama! A Blue Lagoon é “vendida” como um paraíso, por isso há que penar para chegar até ele! Não sendo um paraíso, e apesar da água ser menos “azul” que a de Tham Chang, por 10000 Kip a Blue Lagoon tem os seus encantos. É uma pequena lagoa com uma enorme árvore no meio que faz de prancha de saltos com dois níveis de altura, e tem restaurantes com mesinhas e gazebos à volta da zona balnear. À volta pode-se fazer slide e rapel entre as árvores que descem a montanha a dezenas de metros de altura, e claro, visitar as enormes grutas dentro da montanha, que era o nosso objectivo principal. Como era Domingo, além dos muitos turistas estavam também muitas famílias locais a piquenicar e a apanhar Sol por isso estava um ambiente animado!

Depois de almoçarmos, começámos a íngreme subida de 200 metros, em que os degraus eram pedras e raízes de árvores, até à entrada da caverna. Chegados ao topo (e a meio caminho também), tivemos que descansar! A subida é mesmo a pique e se não fossem os corrimões improvisados de cana de bambú, em algumas zonas seria muito complicado subir.

Esta caverna é um longo labirinto de enormes galerias cheias de estalagmites e estalactites, com algumas zonas que só se chega subindo as rochas, passando por fendas apertadas ou mesmo só a nado. O ar é frio e húmido, e é mesmo obrigatório levar-se uma lanterna, de preferência que dê boa luz se queremos entrar mais nas profundezas. A Joana e eu temos opiniões contraditórias em relação a este tipo de “atracções turisticas” na Ásia. Eu adoro a liberdade que se tem em poder explorar tudo sem nada nem ninguém a proibir ou a chatear, a Joana acha que falta controlo ou apoio de “alguém”. Se isto fosse na Europa, tínhamos de seguir um caminho delimitado por cordas e com um guia à frente e/ou câmaras a filmar-nos todos os passos. Aqui, alugam lanternas antes do início da subida e têm um aviso a dizer “Tem cuidado, porque é fácil perderes-te ou magoares-te.”, e pronto, a partir daí estamos por nossa conta e risco!


Mal entrámos ficámos logo de boca aberta com o tamanho da primeira galeria. Cabia uma aldeia inteira lá dentro! Seguindo umas setas desenhadas nas rochas (até tem “indicações”, o que é que precisamos mais…?), começámos a descer as pedras bem escorregadias de estarem molhadas e também polidas pelos muitos que já lá passaram, e passados uns minutos estávamos no centro, onde está uma pequena estátua de um Buddha deitado. A Joana não se quis aventurar mais, porque a partir dali já não entrava luz natural, e deu-me meia horita para ir passear à minha vontade! Segui as setas para o interior da caverna e depois de muita ginástica, contorciosnismo e até malabarismo, lá cheguei à câmara seguinte. Se a anterior era grande, esta era enorme e completamente escura. Não entrava um fio de luz que fosse, nada mesmo. É um daqueles momentos em que uma pessoa se sente pequena, muito pequena mesmo. Não sei se foi de ver o filme Interstellar no avião para cá, mas estar ali fez-me pensar no que um astronauta deve sentir sozinho no meio do nada. Desliguei a lanterna por uns segundos (medo!) e apreciei o momento.
Eu bem tentei tirar fotos, mas a gruta é simplesmente grande demais e o flash não dá para tanto. Entretanto já estava na altura de regressar (e ainda bem porque não ia continuar sozinho!), e lá fiz o caminho de volta para trás. Ao sairmos da caverna, olhando para a descida a pique que nos esperava, a Joana diz “Estas férias estão a ser muito radicais!”, e tenho de concordar. 🙂
1 comentário
Adorei o ar maroto do João a atravessar a ponte de madeira na moto. Aproveitem bem esta aventura radical 😉