Tubing! Hoje foi de dia de Tubing! 🙂 E confirma-se…Tubing é na sua essência usar uma câmara de ar para andar na água, só que em Vang Vieng é muito mais que isso! Mas comecemos pela manhã. Duas semanas e meia depois do início da viagem, e como vamos ficar alguns dias no Bungalow, aproveitámos a manhã para “arrumar a casa”: lavar roupa, coser roupa, arrumar as mochilas, fazer balanço de dinheiros, dias e de rota, etc. Uma curiosidade: estamos a conseguir apontar todas as despesas, desde uma garrafa de água a um comboio, numa aplicação muito simples e funcional para Android, o Travel Money, e que nos tem ajudado bastante a controlar os gastos!

Ao almoço comemos uma sandes a meias e dois sumos só para enganar a fome, e lá fomos nós para uma das duas lojas que fornece o serviço do Tubing, e que estava cheia de turistas em fila. O custo é 55000 Kip, nada barato para emprestarem um bocado de borracha, e temos de deixar 60000 Kip de depósito. Existem avisos por todo o lado para os turistas não perderem ou deixarem roubar os seus tubes, senão perdem o depósito. E se não se entregar o “tube” até às 18h (“e nem mais um minuto”, diz o cartaz) ficam-nos com 20000 Kip e se não entregarmos até às 20h perdemos todo o depósito. Este negócio é uma verdadeira mina de ouro!

“Life jacket?”, perguntamos nós na nossa ingenuidade, “No need!”, respondem prontamente enquanto um escreve na nossa mão um número de saída e outra recebe o molho de notas do pagamento. O valor inclui também a viagem de 3km de Tuk Tuk até ao ponto de partida dos tubes. Enchem o Tuk Tuk de turistas nas traseiras e tubes no tejadilho e seguem viagem, é sempre a sair! No nosso Tuk Tuk vão mais 6, pessoal do Canadá, Austrália e Inglaterra, na casa dos vinte anos, a viajar pelo menos 1 ano…afinal os nossos 3 meses não dão para nada! 😉
Vão quase todos com uma garrafa de cerveja local, a Beerlao, de 640ml (normalmente 10000 Kip) na mão e, pela animação, de certeza que não começaram a beber agora. Começa a chover…muito! Digo-lhes que com chuva a corrente do rio ainda ganha mais força e vai ser sempre a abrir. Ficam eufóricos e até tenho direito a hi5’s! 🙂 Em bom português que ninguém nos entende perguntamos um ao outro “esta gente não se vai afogar nem nada?” Não seria a primeira vez..A viagem é curta e rapidamente, já molhados da chuva sem ainda nos termos metido no rio, chegamos ao ponto de partida que não é mais do que o primeiro de muitos bares a servir baldes (literalmente!) de álcool.

Outra mina de ouro, com Vodkas e afins a 50000 Kip (aproximadamente 6€), estes “meninos” que nas terras deles pagam 15 e 20€ por uma bebida, aqui estão sempre de copo cheio! Já há muita gente em estado avançado de bebedeira e ainda nem sequer começaram a descer o rio e a parar nos outros bares pelo caminho…muitos têm número de inscrição na mão muito abaixo do nosso, ou seja, chegaram ao ponto de partida há horas atrás mas ficaram no bar a beber e, apostamos, que já nem se lembram que foram até ali para descer o rio numa câmara de ar!
Ficámos a aproveitar a festa, porque a música estava boa, à espera que alguém agarrasse no seu tube e se pusesse a caminho. Mas meia hora depois, nada…o bar cheio de pessoas a pedir bebidas, uns a dançar à chuva, outros deitados no chão e não vemos ninguém com ar de querer sair dali…Bom, como não queremos perder a caução, e viemos cá foi para fazer Tubing, decidimos iniciar a descida. Na época seca, o rio está mais calmo e a viagem demora entre três a quatro horas, e na altura das chuvas o rio acelera e faz-se em uma a duas horas. Como de vez em quando ia chovendo qualquer coisa, estávamos a contar com três horas de passeio. Como eram duas da tarde, era mesmo boa hora para começar!

Mas como é que se começa? Os tubes estão todos amontoados a um canto do bar, e não há indicações de nada…vou ter com um homem sentado ao pé dos tubes que me diz por gestos “como és grande, tens de escolher um dos tubes maiores” e lá percebemos que estávamos por nossa conta e risco! Agarrámos cada um no seu tube e fomos para a praia iniciar a aventura.
Os primeiros minutos foram para aprender a navegar o “barco”, e para a Joana perceber que aquilo não virava sem mais nem menos! Mas a partir daí foi deixarmo-nos ir e apreciar a vista. Eu lembro-me de em pequeno andar a boiar no mar em câmaras de ar, mas isto é uma experiência completamente diferente, para o melhor!

O rio tem corrente que nos vai levando para onde quer, e tanto tem zonas calmas onde dá para irmos a descansar e a apreciar a vista espectacular das montanhas em redor e o barulho dos pássaros na beira do rio, como zonas de rápidos, com pedras e ramos pelo caminho, dos quais temos de nos desviar, o que torna o passeio muito mais animado. Se, com pouca chuva os rápidos já atingem alguma velocidade, com chuva a sério deve ser a loucura! Assim já se percebe porque morrem uns turistas bêbados de vez em quando. Eu sempre ouvi dizer…se beberes, não conduzas! Além disso, de tempos a tempos podemos ser atingidos com “granadas”, que são nem mais nem menos que garrafas de plástico atadas a uma corda, que os anfitriões dos bares ao longo do rio vão atirando para pescar o pessoal que quer parar para ir beber.

Mas realmente fazer Tubing no rio Nam Song é uma sensação única…é mesmo muito relaxante irmos deitados, semi dentro de água, e deixar-nos ir à deriva com florestas e montanhas em toda a nossa volta, sem saber muito bem onde vamos parar. Adorámos!

Já recuperados da emoção, mas com vontade de amanhã voltar a fazer o mesmo, era altura de comer que isto de andar a bater braços e pernas no rio abre o apetite. Demos finalmente uso às massas instantâneas que comprámos na Tailândia. A Guest House oferece água a ferver disponível o dia todo, café, chá e bananas. Foi um lanche ajantarado. 🙂
Como ficámos intrigados com o pessoal que pagou para andar nos tubes e ficou no bar a beber copos, fomos até ao ponto de chegada no rio para ver se estavam a chegar alguns…e estavam mesmo! Uns três ou quatro (de mais de cem) meio tortos e debaixo de chuva torrencial que entretanto voltou a cair…felizmente, conseguimos abrigar-nos no que resta de um daqueles bares abandonados, fechados pelas autoridades por serem demasiado hardcore.

Com a noite a cair, ainda vemos alguns a chegar a pé, e muitos outros de Tuk Tuk com os tubes pendurados e a cantar pela estrada fora. Ficamos sem perceber se chegaram a experimentar o tube ou se nem saíram do bar, mas a caução já ninguém lhes devolve pois já estão bem fora de horas para entregar a bóia…E mal saíssem do Tuk Tuk deviam ir directamente para o Sakura bar, que estava com bar aberto das 20h às 21h, para não perderem o andamento! Quanto a nós, até ver, meninos de suminhos naturais de fruta, estava na hora de jantar. Decidimos fazer uma pausa no fried rice e noodle e experimentar um barbecue coreano. Porco e pato no churrasco…um tiro ao lado, não prestava…amanhã voltamos à comida local! 🙂

O passeio nocturno pela cidade ainda deu direito a um crepe de nutella com banana e a assistir a uns chineses a lançar algumas sky lanterns pelo ar. Esta passagem por Vang vieng está a ser tão boa que ainda não sabemos quando voltaremos à estrada. A próxima paragem será Vientiane, a capital do Laos, lá para Segunda-feira, quem sabe…

1 comentário
Muito radicais!!! As fotos e os filmes estão fantasticos. Divirtam-se 🙂