Faz hoje um mês que voltámos da nossa “longa” viagem! O que mudou?
Quando viajamos uma, duas ou mesmo três semanas, o regresso é sempre complicado mas a melancolia acaba por passar rápido porque não chega a haver aquela quebra total do nosso dia a dia. Todos passamos por isso, e quem cá ficou até leva a peito se desabafamos a nossa imensa tristeza…”Ai tão bem que se estava de férias, mas o que é bom acaba rápido…” Na teoria é tão fácil, ultrapassamos a coisa e seguimos a vida real que pusemos em pausa!
Agora quando viajamos 3 meses, pelos vistos o quadro muda um bocadinho de figura…Lemos inúmeras vezes relatos de outros viajantes sobre as dificuldades do retornar à civilização e à rotina e por isso achávamos que estávamos preparados, mas não estávamos. Esta foi a mais longa viagem que fizemos até hoje, e quebrou totalmente as rotinas do dia-a-dia e até algumas crenças que tínhamos, e por isso o retornar está a exigir de nós um bocadinho mais de vontade e paciência de espírito do que esperávamos…
Faz hoje um mês que regressámos e a nostalgia ainda está bastante presente…

As rotinas foram de tal forma alteradas, que estamos mesmo a criar umas novas. Não é de propósito, mas é porque estas se encaixam melhor a quem nós somos ao dia de hoje! 😉
Não será falta de memória, para já, mas o João chegou mesmo a esquecer-se do pin do multibanco e eu? Eu não faço ideia qual é o código da entrada do prédio. Pormenores…
O que fazer quando a memória da realidade que vivemos na viagem é mais forte do que daquela a que regressámos?
Ainda estamos em processo de aprendizagem de como lidar com esta nova realidade, por isso as sugestões que deixamos não são à prova de bala. Mas começamos, claro, pelo mais fácil…Se nos apoiarmos nas coisas boas que o “voltar a casa” implica, como lençóis lavados, um frigorífico recheado, um sofá em frente à televisão, fica tudo mais fácil. Mas se insistirmos em comparar tudo, a “casa” fica a perder, por isso não se deve tentar comparar o que não pode ser comparado. São realidades, espaços, quase vidas, diferentes!
Sempre fomos de recordar momentos vividos em viagem e relembrar como fomos aventureiros ao andar num jipe com mais de 20 pessoas (e uma bilha de gás!) pela India, ou inconscientes ao dar boleia a desconhecidos na Croácia (acabando por viajar 3 dias com eles!), ou completamente malucos ao decidir fazer 36 horas de viagem de comboio non stop na China… e constatamos frequentemente como somos tão diferentes em viagem do que somos quando estamos na nossa zona de conforto! Somos mais abertos ao díficil, ao perigoso e até ao mais estúpido! 🙂 Em casa, temos tendência a manter rotinas e a ficarmos protegidos numa falsa ideia de que o “anormal” é perigoso ou sem piada.
Por isso tentar sair desta bolha de segurança, arranjando novos desafios, físicos ou intelectuais, sem sair de casa ou da nossa cidade também pode ser uma boa solução. E se visitamos museus, corremos parques inteiros ou nos sentamos à beira de um lago a “fazer nenhum” quando estamos em viagem…porque não fazê-lo onde vivemos?
Recordar (e não comparar) será sempre o melhor e são esses os restos que ficam das viagens que fazemos e que nunca mais ninguém nos tira, mas não vale sermos aqueles amigos chatos que só falam das aventuras vividas em viagem… Termos escrito um blog ajudou porque as partilhas foram feitas no momento e, fora aqueles pormenores que decidimos guardar para nós na altura, tentamos travar as nossas ânsias de contar e repetir histórias que para nós foram as melhores da nossa vida mas que para mais ninguém têm assim tanta magia.

A piorar, e ao mesmo tempo a melhorar, tudo isto, regressámos para demasiadas novidades sem termos tempo para as interiorizar. Mas por estarmos no início de um novo capítulo da nossa vida, e ainda estarmos a tentar descobrir como será, o borbulhar de novas ideias e novas vontades ajuda a minimizar as recordações e activar os sentidos e a encaminhar-nos mais para o futuro próximo do que para este maravilhoso passado recente!
A verdade é que estamos mais ricos, não na carteira (obviamente!), mas de experiências e de vivências, mas acima de tudo, hoje conhecemo-nos a nós próprios e a quem nos rodeia melhor do que quando saímos daqui há 3 meses atrás! E isso, só quer dizer que estamos mais preparados para decidir o que queremos fazer da vida! 🙂
Isso, ou marcar a próxima viagem! 😉

2 comentários
Gostei muito deste post, concordo na integra 😉
Olá Rita! Não é fácil, mas as memórias que ficam vão ajudando, não é? Boas viagens! Volta sempre aqui ao nosso cantinho! 🙂