Começo este post por dizer que a nossa máquina teve um acidente mesmo à porta do Complexo de Angkor, e por isso as fotos dos templos foram tiradas com o telemóvel, mas dá para ver qualquer coisa! 🙂
Existem várias empresas de autocarros que fazem a ligação Phnom Penh-Siem Reap, sendo a opção mais barata 6,5USD em autocarros velhos que fazem muitas paragens pelo caminho. Optámos pela Giant Ibis, a mais popular entre os turistas, que por 15USD nos levou num autocarro bem espaçoso, com A/C, Wi-Fi e, pelo menos no nosso caso, um assistente de bordo que achava que era o Jerry Seinfeld. Mas não, era mais um Herman José que até começou por dizer que ia cantar uma canção! E continuou a dizer que a viagem ia demorar 20h (e não 7h), que só íamos parar um minuto para o almoço, que era o primeiro dia de trabalho dele, etc. E foi assim a viagem toda…Um verdadeiro engraçadinho! 🙂

A viagem fez-se bem, porque além do autocarro ser espaçoso, o trânsito aqui é muito mais calmo (e silencioso!) que no Vietname, as estradas são melhores, apesar de ainda termos encontrado algumas obras, mas principalmente porque não houve subidas, descidas, ou curvas apertadas! O Cambodja é em grande parte plano, e esta zona central é completamente plana! Só se vêem extensas planícies verdes de perder de vista, o que apesar de bonito, acaba por fartar após muitas horas seguidas da mesma vista. Mas deu também para ter alguma noção que a vida é bem diferente fora de Phom Penh, e que os luxos e extravagâncias da capital não se reflectem, nas zonas mais rurais, no Cambodja “real”.



Chegados à estação de autocarros da Giant Ibis, que fica 2km a Norte do centro de Siem Reap, começou a chover torrencialmente. Os Tuk Tuks pedem 2USD para nos levar (uma roubalheira), por isso esperámos a meia horita do costume e a chuva lá passou. Não tínhamos nenhum hotel reservado, mas tínhamos um em mente, a Big Lyna Villa. Mal chegámos ao hotel fizemos o que fazemos sempre, procuramos pela placa com a password do Wi-Fi. Já nos safou muita vezes, quando por exemplo acabamos por não ficar no hotel e queremos procurar outro online, e aqui também, mas por outro motivo. No booking.com o preço do quarto com pequeno almoço era 12,80USD, mas ao balcão o mais barato que podiam fazer era 14USD sem pequeno almoço…assim, na recepção do hotel reservámos online e em real time com a internet deles…o hotel é que ficou a perder porque ainda vão ter que dar a comissão ao booking, mas já não é a primeira vez que nos acontece! Mas recomendamos a Big Lyna Villa, os quartos são limpos e grandes, e é a 5 minutos do centro, mas suficientemente longe para ser numa zona sossegada.

Siem Reap é uma cidade muito turística virada para os milhares de turistas que visitam os templos e outros edifícios de Angkor, que estão espalhados por vários quilómetros em redor da cidade. Mas nem parece que estamos no Cambodja, enormes hotéis e resorts de luxo, restaurantes caros, grandes bares e discotecas, centros comerciais, carrões por todo o lado (jipes Lexus é mato!) e até existe um Hard Rock Café! E em cada esquina há um mercado de souvenirs! Mais uma vez, é uma cidade que contrasta bastante com a realidade do país, e que a consegue camuflar muito bem. Mas “esquecendo isso”, para nós turistas, é uma cidade simpática e agradável de se estar, com algumas das comodidades do Ocidente. E mais uma vez, toda a gente fala Inglês e está tudo, tudo em USD!


Depois de uma barrigada de um delicioso Khmer Curry (um caril com muito côco ralado, cenoura e batata doce) acompanhado de arroz Thai à descrição, no restaurante Khmer Kitchen, andámos a passear pela Pub Street, a “Rua da Oura” cá do sítio, pelos vários mercados nocturnos e pelas inúmeras pequenas pontes iluminadas que atravessam o rio Siem Reap, até conseguirmos ir para a cama.




Depois de muito bem dormidos, tomámos o nosso pequeno almoço descansados no alpendre do hotel e de seguida alugámos duas bicicletas para visitar as redondezas.

O primeiro destino, o Wat Bo, um antigo templo que está agora inserido num grande complexo Budista. O templo em si está a precisar de restauração, o que é uma pena porque é muito bonito e muito detalhado. A Joana até diz que é um dos que mais gostou de ver até agora!


Mas além deste templo, que é rodeado por um cemitério Budista com grandes Stupas douradas, podemos ver alguns outros edifícios que albergam templos, um conjunto infindável de estátuas de monges a retratar uma cerimónia de Alms Giving, uma Buddhist High School, a sede da Rádio Budista do Cambodja, os moldes para construção de estátuas gigantes do Buda e ainda várias casas (cabanas) de madeira onde alguns monges vivem. Estas casas são impressionantes pelo tamanho minúsculo que têm…não querendo comparar monges a galinhas, em Portugal já vi galinheiros maiores…e tão quentes que devem ser!




O templo seguinte no roteiro foi o Wat Preah Prom Rath, um majestoso e imponente templo no centro da cidade. Com um bonito jardim em volta, tem também alguns edifícios com salas de aula, onde apanhámos alguns alunos a ter uma aula de Inglês. Enquanto “espreitávamos”, um aluno saiu da aula e perguntou-nos de onde éramos. Respondemos, e ele perguntou-nos se sabíamos falar espanhol. Respondemos que “sim” e então ele começou a falar connosco num Espanhol quase perfeito. Além de estudante de Inglês, andava também a aprender Espanhol e ficou muito contente de conseguir praticar “un poquito”! Disse-nos que o professor nos tinha visto e que lhe tinha pedido para nos convidar a entrar. Como é costume acharam que eu era Americano e queriam praticar Inglês com um nativo. Recusámos com um sorriso e seguimos cidade adentro.


Aqui, como em muitas destas pequenas cidades mais turísticas da Ásia, acontece algo curioso…de dia está deserta porque todos os turistas estão em tours ou a visitar algo, e de noite ganha vida e as ruas estão cheias de pessoas e de lojas e restaurantes abertos até de madrugada. Assim, e apesar de ser hora de almoço, quase não vimos vivalma no nosso passeio pelo centro, e muito do comércio estava ainda fechado ou a começar a abrir. Almoçámos num restaurante local, onde a Joana comeu um ananás recheado com arroz frito e galinha, e eu lá tive de comer mais um Khmer Curry. Ambos nos perguntámos…quantas pessoas já terão comido neste ananás…?! 😐

Antes da longa pedalada que nos esperava mais ao fim da tarde, ainda fomos visitar mais um templo, o Wat Kesararam. Também a precisar de alguma reparação, destaca-se dos demais pelas inúmeras pinturas muito coloridas e vivas nas paredes e também os leões e nagas (serpentes míticas com várias cabeças) coloridas cujo corpo serve de corrimão à volta do templo! E como tem árvores à volta parece que é um óptimo sítio para parar o tuk tuk e dormir uma sesta!





E agora sim, o destino final e mais importante do dia, o Angkor Wat!
Existem vários tipos de bilhetes para visitar o complexo de Angkor. Para os curiosos, o passe de 1 dia que custa 20USD. Para quem quer ver tudo muito bem visto ou a um ritmo mais lento, o passe de 3 dias que custa 40 USD. E há ainda o passe de 7 dias, que custa 60 USD e é para…arqueólogos?! Na altura da emissão do passe é tirada uma fotografia que é impressa no bilhete. E os bilhetes têm uma coisa boa, deixam entrar a partir das 17h da véspera, para se poder ver o pôr do sol. Uma dica que não encontrámos nos guias e sites que fomos lendo é que a bilheteira do Complexo de Angkor é na estrada principal para o templo, e se forem, como nós, por uma estrada lateral, serão barrados num dos check points existentes se não tiverem bilhete. Isto implica fazerem 4kms até à estrada principal, e depois tudo de volta até à bilheteira. Felizmente encontrámos um corta-mato (literalmente pelo meio do mato), e não tivémos que andar tudo para trás! Comprado o bilhete, ainda deu tempo para tirar a última foto da nossa máquina, segundos antes dela cair ao chão e…

Cabisbaixos, seguimos para o Angkor Wat, que de certeza que nos ia animar sob um pôr do sol Cambodjano! E assim foi! É um local místico, imponente, impressionante. E apesar da multidão a ver o pôr do sol, o templo, reflectido nos lagos mesmo em frente, e envolto em grandes relvados e muralhas, consegue transmitir uma calma e paz reconfortantes. Já menos chateados, lá pedalámos de volta para o hotel, a sonhar com o que iríamos ver no dia seguinte.

Mas para a visita aos vários templos, e como ainda são a alguns kms uns dos outros, há também que escolher o transporte mais adequado. E opções não faltam! Pode fazer-se a pé, de bicicleta, de scooter, com ou sem condutor (apesar de não recomendarem sem por causa da polícia ), de carro, minivan, minibus, e até de helicóptero! Não vimos em lado nenhum a opção Cavalos, mas de certeza que pagando se arranja qualquer coisa! Com o calor que está, ter que fazer dezenas de kms a pé ou de bicicleta entre templos, e ainda ter que andar dentro dos templos, alguns bem grandes, e a subir escadas a pique, não nos parece óptima ideia, mas há malucos para isso! Opções não faltam, tudo depende do tempo, do orçamento e da condição física de cada um!
Nós optámos pelo passe de 1 dia e alugámos um tuk tuk para o dia todo. E não nos arrependemos de nenhuma das escolhas! Apesar de a cada passo que damos nesta cidade termos condutores de tuk tuk a oferecer-se para o passeio, preferimos marcar com alguém de confiança do hotel para garantir que o nosso único dia nos monumentos de Angkor era bem aproveitado! Pagámos os 18USD de “preço de tabela” pela Grand Tour, mais 5USD porque quisemos começar às 4h30 da manhã para ver o nascer do sol no Angkor Wat!

Foi uma madrugada difícil mas tinha mesmo de ser e compensou! Quando chegámos à porta do Angkor Wat estava ainda escuro e mal víamos as torres. Fomos imediatamente guardar um spot no lado/lago direito (de frente para o templo), porque no dia anterior tínhamos reparado, que apesar do templo e de tudo o resto ser simétrico, estranhamente a “manada” de gente junta-se toda do lado esquerdo…E ainda bem que reparámos nisto, porque o lado esquerdo ficou sobrelotado! Devagar, devagarinho, o céu começa a ficar mais claro e só se ouviam cliques de máquinas fotográficas a disparar! (Menos a nossa, claro…)

Não conseguimos dizer quanto tempo estivemos ali a olhar para ele, mas o Angkor Wat conquista e foi um momento especial, e apesar de “oficialmente” não ser, para nós também é uma Maravilha do Mundo!

Quando o sol já mostra todos os detalhes do templo é altura de o explorarmos por dentro! A quantidade de pormenores, escadas, recantos, colunas, e relevos existentes é indescritível! Percebe-se facilmente porque é um Património Mundial tão importante!




Depois de um bom bocado a explorá-lo, não podíamos continuar o dia sem um pequeno almoço reforçado! Já estavam abertas as barraquinhas de comida dentro do recinto do Angkor Wat! E nós tão esfomeados que, quase por transmissão de pensamentos, dirigimo-nos para lá! Já estavam a chamar freguesia de vários pontos e nós escolhemos uma cara simpática mas que rapidamente deixou de parecer quando olhámos para a lista…preços caríssimos! Sem grande negociação, mal viu que estávamos admirados com os preços disse que fazia tudo a 3 dólares! 😛 Caro na mesma mas paga-se bem uma vista daquelas, e não havia mais sítio para comer…! Não é todos os dias que se come a olhar para o Angkor Wat!

Já bem satisfeitos, de estômago e de alma, voltámos para o parque dos tuk tuk onde o nosso condutor deve ter dormido uma bela soneca. Não o encontrámos mas ele encontrou-nos a nós, e foi quase sempre assim até ao fim da visita! Levou-nos ao Angkor Thom, a 2km a norte do Angkor Wat, a última e a maior capital da era Angkor, construída no final do século XII e início do seculo XIII. Seria uma enorme cidade dentro de muralhas defensivas com 8 metros de altura e 3 km de comprimento de cada lado, rodeadas por um fosso. Das imensas casas de madeira onde habitavam o milhão de habitantes que aqui terá vivido, não sobra nada…Mas restaram alguns dos edifícios mais significativos como o Palácio Real e o templo de Bayon.

Bayon é muito diferente dos outros templos. Com 54 torres, e cada uma com 4 gigantes cabeças de pedra, não deixa ninguém indiferente. E apesar de ter sido construído de uma forma tosca, é um dos templos mais admirados do complexo.






Uma longa passadeira de pedra, leva-nos ao terceiro monumento Angkor que visitámos: o Baphuon! Reaberto recentemente, depois de uma mega reabilitação de 50 anos, durante a qual o templo inteiro foi desmantelado e reconstruído pedra por pedra. Este é daqueles duros de conhecer, com escadas a pique mas que depois oferecem belas vistas de um terraço cheio de colunas!


Passeando pela mata, a 300 metros norte, chegamos ao Terrace of the Elephants onde elefantes guardam a saída sul e na base do terraço podemos apreciar belas esculturas de elefantes a caçar e a lutar. Este terraço suportaria pavilhões de madeira e salas onde o rei recebia convidados e de onde falava ao povo. Só sobra mesmo o terraço…


De volta ao Tuk Tuk com o nosso sempre sorridente condutor, seguimos para o Preah Khan onde a sombra facilitou a visita. Foi aqui que vimos os primeiros “combates” entre as árvores e as pedras dos templos, em que nitidamente as raízes da natureza estão a ganhar, deixando cenários um bocadinho destrutivos mas ao mesmo tempo bonitos! 🙂





Mesmo no final do templo, uma menina com uns 6 anos vem ter comigo a vender souvenirs. Perguntou-me de onde era e respondi Portugal. Ela disse imediatamente “Portugal, capital Lissabon”! Fiquei por momentos de boca aberta, e eu que nem sou muito dado a estas coisas, quase enternecido. Mas lá me lembrei que são tudo truques que ensinam às crianças desde pequenas, para atrair e “derreter” os turistas…acredito que muitos devem dar logo 1 USD só porque a menina sabia a capital do seu país na ponta da língua! Mas é triste continuarem a permitir que pessoas (que por vezes nem são familiares) continuem a assim a explorar crianças, e também que os turistas continuem inconscientemente a alimentar estes abusos…

A paragem seguinte foi o templo de Neak Pean. Depois de se percorrer uma longa ponte sobre um lago, que estava ainda seco por falta de chuva, chega-se a uma clareira no meio de árvores onde foi construída uma ilha artificial com um pequeno templo. Foi aqui erguido para ser utilizado como espaço termal, pois acreditava-se que as águas tinham um poder curativo.


Já eram horas de almoço e o nosso “guia” tinha tudo bem pensado. Ainda antes de nos levar a um bom restaurante turístico, passámos no Ta Keo, que será dos mais altos mas também dos menos ornamentados monumentos. Aqui uma fotografia de passagem chegou! Afinal, já se falava em almoço…

Num restaurante à beira lago, comemos mais um belo caril Khmer (agora que penso nisso, não comi outra coisa sem ser caril nestes dias!), banana frita para a sobremesa e estávamos prontos para continuar o nosso passeio Angkor!

A tarde começou no Ta Phrom, tornado famoso pela personagem da Angelina Jolie em Tomb Raider! Procurei por ela, não encontrei…Aqui, a batalha das árvores e das pedras está em força e por isso o cenário é espectacular! São enormes árvores centenárias a sair de dentro de muros, apoiadas em paredes e telhados, ou com raízes a entrar dentro de portas e janelas! Parece que todo o templo pode ruir a qualquer momento! Assustador e ao mesmo tempo espectacular! Construído como um templo budista no século XII, o Ta Phrom chegou a albergar mais de 12 mil pessoas, e agora alberga dezenas de árvores!




Para terminar, ainda visitámos mais um templo onde, já cansados, nos sentámos à sombra e nos despedimos do magnífico mundo de Angkor!

Este post estava mesmo difícil de sair… Ficarmos sem máquina fotográfica desorganizou-nos o sistema! Mas aqui fica, porque mais vale tarde do que nunca, o relato de mais uma grande etapa desta aventura! Saímos assim felizes do Cambodja e com vontade de um dia voltar para conhecer o resto do país! 🙂

4 comentários
Não me canso do vosso blog!!!! Gosto da forma sincera, clara e inteligente como nos vão relatando as aventuras da vossa viagem. Obrigada e beijinhos
PS: O Johnny está mais magro ou é impressão minha?
PS2: Que pena terem “perdido” a máquina 🙁
Obrigado São! Tentamos contar o que vemos e sentimos da forma mais honesta possível! 🙂
E sim, isto de andar de um lado para o outro (em vez de estar sentado à secretária) o dia todo, vai dando os seus frutos… 😉
E pois…a máquina…………….
Estou a adorar o vosso blog e a vossa viagem. Vou à Tailândia e ao Cambodja em Dezembro. Gostava de uma opinião vossa: 3 dias em Chiang Mai e 4 dias em Siem Reap ou ao contrário?
Era isto que tinha planeado..mas pelo que vi do vosso blog, acho que três dias bastam.
Desde já, obrigada 🙂 Boas viagens!
Olá Mónica! 3 dias em Chiang Mai parece-nos muito bom para ver tudo e fazer alguma das mil actividades que há por lá se quiserem (há por lá um Tiger Kingdom, um Elephant Sanctuary, um Monkey Center, Snake Farm, ATV & Buggy Adventure…). Quanto a Siem Reap vai depender do quanto vocês querem ver do Complexo de Angkor! Se optarem pelo passe de 3 dias, os 4 dias soam bem para aproveitarem mesmo bem o passe que é válido desde as 17h da véspera! O que é excelente para começar logo pelo por do sol no Angkor Wat! Qual coisa, apita! 🙂