Estou a começar a escrever este post deitado numa espreguiçadeira debaixo de um toldo de palha com a água morna do Oceano Pacífico mesmo nos meus pés. Decididamente não estamos em Hanoi!
Hoi An é uma pequena cidade que cresceu virada para a foz de um emaranhado de rios com várias ilhas e arrozais pelo meio, o que obviamente só podia resultar em paisagens muito bonitas! Além disso, tem uma bonita zona ribeirinha, a “Ancient Town”, com pequenas casas do século XVIII com uma arquitectura que funde estilos chineses, japoneses, vietnamitas e europeus, e que foi reconhecida pela UNESCO como World Cultural Heritage Site em 1999. É também uma zona cheia de vida dia e noite, de bons (e caros) restaurantes e de lojas viradas para os turistas, o que lhe dá um encanto ainda maior.
Como os hotéis aqui também são um pouco mais caros, optámos por ficar numa Homestay, a Vesper Homestay que é fora do centro numa zona calma da cidade. Os anfitriões falam “bem” inglês, os quartos são limpos e com ar condicionado, e até tem pequeno almoço, por isso os 11 USD compensam bem os 15 minutos a pé até ao centro. E, como alugámos uma scooter para vermos os arredores, em 2 minutos estamos na Ancient Town.
E isto de comer fried rice ou noodle soup todos os dias e a todas as refeições já começa a acusar algum cansaço mas, como Hoi An é perto do mar, temos conseguido encontrar algumas refeições diferentes como amêijoas ou vieiras (as famosas scallops do chefe Ramsay) e lulas. Eu a comer “bichos” do mar, e principalmente lulas, quem diria…?!

Antes do mergulho no mar fomos às Marble Mountains, um conjunto de pequenas montanhas a meio caminho da cidade de Da Nang e que, como o próprio nome indica, tem muito mármore! E não há mármore só na montanha, também as estatuetas dentro das várias cavernas na montanha são de mármore, e há muito muito mármore principalmente nas dezenas de lojas em redor com estátuas artísticas, religiosas e com muitos outros artigos feitos em mármore. Ao chegarmos perto das escadas para a montanha, fomos logo convidados por vários lojistas a estacionar “gratuitamente” a mota à sua porta, a troco de visitar a loja quando voltássemos. Com a mota estacionada à sombra (para não nos queimarmos quando voltarmos a sentar nela) e com a entrance fee (15.000VND) paga, lá começámos a subir a longa escadaria até ao topo da montanha. Também existe um elevador panorâmico (por mais 15.000VND) numa outra entrada mais à direita, mas temos de aproveitar para fazer exercício!

No topo, encontramos várias cavernas com pequenos templos e altares no seu interior, e no exterior um jardim. Pagodas com vista para a praia e um templo maior com um grande Buddha de mármore branco à porta. A subida inicial é largamente recompensada pelo que encontramos lá em cima, e dentro das cavernas está fresco, por isso podemos descansar e recuperar as energias. Gostámos! De volta à scooter, demos uma volta pela loja, mas em vez dos normais 5000 a 10.000 VND de parking fee, queriam-nos vender uns pequenos Buddhas de mármore por 400.000VND. Por esse preço quase que mais valia deixar lá a mota! 🙂 Dissemos que não várias vezes e seguimos caminho.
E o caminho era finalmente para a praia! Não fomos até à zona turística das praias, e em vez disso virámos no primeiro caminho que nos parecia levar ao mar. Não foi à primeira, nem sequer à segunda, mas na terceira viragem que descobrimos uma praia boa para um primeiro mergulho no Pacífico. E como soube bem! Água morna, sem ondas e pouca gente. A areia podia estar muito mais limpa, sem beatas de cigarros e restos de embalagens de comida… Alguns locais davam também os seus mergulhos e iam olhando intrigados para nós! A Joana, tal como todas as outras mulheres naquela praia, tomou banho vestida para não ferir susceptibilidades! 😉
E por volta das 16h30 tudo mudou! Começou a chegar gente e mais gente, grupos de crianças, vendedores ambulantes, jovens com bolas, famílias inteiras! Ficámos a admirar a animação desta gente que só sai à rua na hora certa e eles a admirarem-nos a nós. Muito menos que na Índia ou nos sítios mais interiores da China, mas aqui também somos um bicho estranho (principalmente eu que até já fui chamado de “Happy Buddha”) e de vez em quando ainda nos pedem para tirarmos uma fotografia com eles! Na maior parte das vezes um simples “Hello” já os deixa a rir imenso! 🙂
Ao fim do dia, e quando estávamos a voltar para Hoi An, tivemos mais um ponto alto, um espectacular por do sol sobre um lago ao pé de uma aldeia de pescadores e com as montanhas ao fundo, que por mais fotos que tirássemos nunca ia ficar igual ao verdadeiro ao vivo e a cores! Brutal!

Depois de uma curta paragem na Homestay, estava na altura de ir até à Ancient Town à procura de jantar, porque isto de andar no mar abre o apetite! E a escolha foi rápida…não resistimos e fomos a um restaurante indiano, o Ganesh, assim mais para o chique e cheio de turistas, mas com comida bastante saborosa (diferente!) e com doses grandes, e apesar de ter sido de longe a refeição mais cara que já fizemos, ainda foi metade do que pagaríamos em Lisboa. Já tínhamos saudades!

Passámos o resto da noite a rebolar pelas animadas ruas de Hoi An, cheias de vida, luzes e cores, e com vários bares com música alta a oferecer bebidas grátis para atrair os turistas. Como já não cabia mais nada, sólido ou líquido, fomos descansar para o hotel.

No dia seguinte, cheios de energia, fomos de manhã cedo visitar as várias ilhas e arrozais à volta de Hoi An por estradas labirínticas e muitas delas sem saída, pois vão dar ao mar. É incrível a quantidade de arrozais que temos visto no Sudeste Asiático, mas aqui no Vietnam parece que todo o canto é um óptimo sítio para plantar arroz. E ainda bem porque assim podemos tirar mais fotos!



Como o calor estava a apertar, fomos descansar à sombra de um toldo numa bancada de um mercado local e, para variar do sumo de cana de açúcar, bebemos um sumo de Dragon Fruit enquanto observávamos a vida no mercado. Uma curiosidade: durante a nossa paragem, chega uma mota com uma grande caixa de esferovite agarrada atrás. O condutor sai da mota, abre uma caixa de esferovite do nosso “café”, tira a caixa dele da mota e despeja o conteúdo para a do café. Era gelo, o gelo dos nossos sumos! A dona do café pagou no momento 15.000VND e a mota seguiu viagem. Simples, rápido, eficaz e todos saem a ganhar!

Antes de seguirmos para a praia, e depois de andarmos às voltas à procura de uma ponte para sair de uma das ilhas maiores, ainda parámos debaixo de uma palmeira para apreciar a vista de Hoi An da outra margem do rio Thu Bon. A Ancient Town de Hoi An é realmente bonita de todos os ângulos, e o rio com pescadores e barcos a passar de um lado para o outro torna todo o cenário ainda mais agradável.








Curiosamente ainda não vimos a Ancient Town de dia, “por isso” vamos ter que ficar cá mais uma noite! Pode ser que amanhã dê para visitar de dia…é uma desculpa tão boa como qualquer outra para ficar mais tempo neste Hoi An que estamos a gostar tanto! 🙂









3 comentários
Está a ser uma viagem fantástica através dos vossos olhos. Obrigada
Johnny?! De tudo o que li só retive uma coisa.. comeste lulas?! vens do vietname uma pessoa diferente 😛 ahaha! A esta altura já devem sonhar com um belo naco na pedra todas as noites 😛
É verdade! Uma pessoa diferente que come bichos do mar e verduras cruas, mas um Naco na Pedra agora ia tão bem…… 🙂