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Chau Doc e o adeus ao Vietnam

  • 25 de Junho, 2015
  • João
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Uma paragem em Chau Doc para nos despedirmos com calma do Vietnam e para recuperar energias antes da entrada no Cambodja soube mesmo bem! Chau Doc, uma cidade na bifurcação do rio Bassac, está situada mesmo junto à fronteira com o Cambodja, e serve exactamente de local para pernoitar antes de se apanhar o barco (ou o autocarro) para Phnom Penh. Mas em vez de uma, nós gostámos tanto que acabámos por ficar três noites!

Vínhamos de Can Tho onde, por 60.000-70.000VND, existem autocarros e minivans de hora a hora para Chau Doc, e como estávamos num hotel ao lado da estação de autocarros, pudemos sem grandes pressas apanhar o autocarro que nos apetecesse. Assim, ao meio dia, depois de tomarmos o pequeno almoço (sim, acordámos tarde!) apanhámos uma Ford Transit para Chau Doc, com uma efusiva e animada vendedora de bilhetes que foi o caminho todo a gritar pela porta lateral à procura de mais clientes! Muitos rios, muito verde, muitos arrozais e muitas obras na estrada, não estivéssemos nós no Vietnam!

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De Can Tho para Chau Doc, Mekong Delta, Vietname
De Can Tho para Chau Doc, Mekong Delta, Vietname
De Can Tho para Chau Doc, Mekong Delta, Vietname

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Chau Doc, Vietname

Guesthouse Number 6, Chau Doc, Vietname
Guesthouse Number 6, Chau Doc, Vietname

Deixaram-nos na estação de autocarros em Chau Doc que fica a uns bons 4 kms do centro da cidade, por isso ainda fizemos uma boa caminhada até encontrar um hotel. Primeiro tentámos o hotel Trung Nguyen, que tem óptimas reviews e que tem uma recepcionista muito simpática e educada que fala inglês “perfeito”, mas a 15USD (com pequeno almoço) estava um bocadinho acima do que queríamos gastar. Estamos mal habituados…Para quem cá vier, e não se importar com o valor (que não é nada de especial) recomenda-se! Nós acabámos por também ficar bem instalados na Guesthouse Number 6, por pouco menos de 10USD, num quarto com varanda. Um luxo, até porque por 7,5USD também têm quartos sem janela, que temos visto um pouco por todo o sudeste asiático, mas para nós uma janela é mesmo importante!

Numa cidade com tanta água à volta, não há como não ser a primeira coisa a se ver! E realmente vale a pena, não pelos rios em si, mas pelos mini bairros flutuantes que aqui existem um pouco por todo o lado. Já não é a primeira cidade que vemos casas flutuantes, mas aqui são mesmo muitas e estão todas juntas em “mini aldeias”, algumas só acessíveis de barco, e algumas de fácil acesso por terra.

Os bairros flutuantes de Chau Doc, pelo Mekong
Os bairros flutuantes de Chau Doc, pelo Mekong
Os bairros flutuantes de Chau Doc, pelo Mekong
Os bairros flutuantes de Chau Doc, pelo Mekong

São incríveis as micro pontes de madeira (por micro entenda-se que algumas têm apenas uma ripa de madeira da largura de um pé) que são erguidas para as pessoas acederem às suas casas. E estas pontes, além de extensas para irem da margem até às casas, são elevadas para compensar a subida do rio em altura de cheias, o que torna a aventura de se entrar em casa ainda maior. Mas claro, é preciso deixar-se os sapatos de sair à rua sempre à entrada da ponte!

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Depois de várias fotos ao longe às casas flutuantes e às casas na margem, ficámos com vontade de as ver mais de perto e atravessámos a ponte Cau Con Tien para vermos o “bairro” maior. Não nos pareceu que fosse muito normal turistas fazerem isto (é mais normal fazerem tours de barco), porque estava toda a gente muito espantada por nos ver! Mas desta vez, e ao contrário de muito do Vietnam, um espantado bom e saudável, em que diziam olá, sorriam e olhavam com curiosidade.
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Andámos uns bons minutos a pé, numa rua à beira rio, junto a casas construídas sobre altas estacas, umas de madeira, outras já de cimento, e onde atrás, já dentro do rio, estavam a flutuar casas e mais casas. É estranho, ou melhor, é-me estranho. Pensar que estas pessoas vivem “isoladas” numa casa no meio da água, que precisam de um barco para ir da porta de casa até à margem, em que a maioria não tem saneamento ou luz eléctrica, que dentro ou à porta de casa têm “aquários” construídos no rio para poderem pescar as suas refeições. Se para nós, “a nossa casa não é suficiente”, como é que para estas pessoas é…? Foi um passeio enriquecedor em muitos aspectos, e que teve direito a malabarismos sobre pontes de madeira, a ver como aqui é feita a seca do peixe, a lições de engenharia civil aquática e a bonitas paisagens sobre o rio!

Os bairros flutuantes de Chau Doc, pelo Mekong
Os bairros flutuantes de Chau Doc, pelo Mekong

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E o que seria uma cidade asiática sem um grande mercado? Não sabemos, porque ainda não vimos nenhuma! Mesmo no centro da cidade junto ao rio, há um grande mercado. Desde madrugada até ao final da tarde, na zona coberta vende-se roupa, tecidos e artigos de mercearia, e à volta ao ar livre, comidas, vegetais, frutas, carne e peixe ainda vivo acabado de chegar do rio.

Mercado de rua em Chau Doc, Vietname
Mercado de rua em Chau Doc, Vietname
Mercado de rua em Chau Doc, Vietname
Mercado de rua em Chau Doc, Vietname

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Templo Chau Doc, Vietname
Templo Chau Doc, Vietname

E templos? Sim, Como não podia deixar de ser também há muitos templos. Não tão imponentes ou bonitos como outros que já vimos, mas esta cidade tem uma particularidade…uma mistura de vários povos e religiões: Vietnamitas e Chineses (Budismo Mahayana e Catolicismo), Khmers (Budismo Theravada) e Chams (Islamismo Sunni). Assim, para cada religião há pelo menos um local de culto, e bem diferentes que são!

Para se visitar a mesquita Mubarak, que fica na outra margem, o melhor é apanhar o ferry local (1000VND (0,05€) por pessoa por trajecto) que fica a Este do mercado, a seguir ao Hotel Victoria. Inicialmente ficámos na dúvida se estávamos a entrar no ferry pelo sítio certo, porque só havia motas e alguns carros, mas rapidamente nos lembrámos que estamos no Vietnam e ninguém anda a pé, excepto nós turistas, claro! Mal atravessámos para o outro lado parece que entrámos num país diferente, uma mesquita, pessoas com trajes muçulmanos, com feições diferentes, mais parecidas com os árabes, e até bebemos uma água de uma marca nunca antes vista…Islam! É incrível como um rio estreito na mesma cidade separa assim duas populações tão diferentes.

No ferry em Chau Doc, Vietname
No ferry em Chau Doc, Vietname
Mesquita Mubarak, Chau Doc, Vietname
Mesquita Mubarak, Chau Doc, Vietname

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Templo Bo De Dao Trang, Chau Doc, Vietname
Templo Bo De Dao Trang, Chau Doc, Vietname

Chau Doc, apesar de pequeno, tem muito para ver se bem explorado. Mas nós também descobrimos que pode ser um bom sítio para não se fazer nenhum! Além do jardim na zona ribeirinha, existe uma agradável praça central, a Bo De Dao Trang Plaza, onde se reúnem as agências de viagens, lojas e alguns hotéis. É o verdadeiro centro da cidade e onde se destaca o Templo Bo De Dao Trang com uma estátua central de Quan Am, a Deusa chinesa da compaixão e da misericórdia, numa espécie de gazebo e uma imagem de Buddha, sentado debaixo de uma árvore, de frente para um bonito pagode. Esta árvore é fruto de um dos ramos da Bodhi tree da Índia onde o Buda atingiu o Nirvana.

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Templo Bo De Dao Trang, Chau Doc, Vietname
Templo Bo De Dao Trang, Chau Doc, Vietname

Foi à volta do templo Bo De Dao Trang, numa das muita esplanadas improvisadas, que 2 meses depois de andar com elas às costas, lá fumei uma cigarrilha que trouxe de Lisboa (AJA, não trouxe o charuto que me deste porque ainda se partia, mas ficou em Lisboa para quando voltar). Um Ice Coffee e uma cigarrilha para mim, um côco para a Joana, e passámos uma bela tarde a ver e a fotografar a vida de Chau Doc a passar à nossa frente. Uma tarde bem passada!

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Phó, Chau Doc
Phó, Chau Doc

E para nos despedirmos do Vietname, nada melhor que comer uma grande tigela de Noodle Soup cheia de caldo de carne de porco para o jantar. Numa das ruas que vão dar à praça central, ao lado de uma casa de bolos, vimos um restaurante apinhado de gente, que só podia ser bom…e foi!

Adeus, Vietname!

Agora em tom de despedida, e depois de cá estarmos um mês (que voou!), confessamos que andámos o Vietnam todo a dizer mal dos vietnamitas, a queixarmo-nos de como são rudes, brutos, antipáticos e gozões. Que os Croatas e os Búlgaros são uns meninos do coro ao pé dos vietnamitas. Que nem os chineses, por nos ignorarem completamente, não nos trataram tão mal. E que saudades temos do povo mais simpático que alguma vez conhecemos, num país não muito longe daqui, o Sri Lanka.

E se calhar quem entra neste país vindo dos sorrisos tailandeses e do Laos vem mal habituado, mas achamos que no geral não fomos muito bem vindos. Aqui, como em tantos outros países asiáticos, somos bicho estranho. Quando passamos, é como se fôssemos extra terrestres para onde apontam e riem. Mas estamos habituados a isso, a que nos tirem fotografias com ou mesmo sem pedirem, que riam, que chamem a família toda para ver, é normal, faz parte. Mas aqui até isso é diferente. Nem sempre parece curiosidade, às vezes, e como a Joana diz, parece um bullying disfarçado! 🙂

Chegámos a achar que fosse imaginação nossa, que estávamos a exagerar, mas não. Falámos com outros turistas e alguns partilham da mesma opinião. Andámos a pesquisar a opinião de outros na net e curiosamente a primeira pesquisa deste tipo no Google é “Why are Vietnamese so rude?” Mas do que temos visto eles são exactamente iguais entre eles, pelo menos entre quem não conhecem, o que acabou por nos ajudar a não levar o “bullying” tão a peito e até a responder na mesma moeda. 😛

Claro que tivemos várias excepções à regra, como a boleia que deram à Joana quando tivemos um furo no meio do nada, ou a fruta que uma passageira nos ofereceu no autocarro só porque sim, ou a anfitriã da Guesthouse de Saigão que nos avisava sempre que saíamos para termos cuidado com as malas, e que se via que estava genuinamente feliz (e não só pelo dinheiro) de nos ter na casa dela. E as crianças são as mais simpáticas…há esperança na próxima geração! Mas curiosamente, quanto mais a Sul, mais simpáticas as pessoas são. E no Mekong Delta, ainda mais! Se em Can Tho já tínhamos notado uma grande diferença, em Chau Doc toda a gente nos recebeu bem, ao ponto de (pela terceira vez) precisar de um costureiro para me coser os calções, e não quererem levar um tostão e ainda ter direito a um sorriso! Será que as pessoas são mais felizes aqui…? 🙂

Mas o Vietnam é um país maravilhoso, com paisagens espectaculares, por do sol do mais bonito que já vimos, arrozais e mais arrozais, boas praias, jardins tranquilos, um trânsito do outro mundo, marisco fresquinho e história, muita história com que aprendemos muito! É um país que deve ser visitado por isso e por mais mil e uma razões, mas as pessoas não são com certeza uma delas…
Adeus Vietnam! 🙂

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