Quando chegámos a Can Tho chovia… Aliás, tem chovido cada vez mais no Vietname! Nada que não estivéssemos à espera mas mais lá para Julho…
Optámos por ficar num hotel mesmo junto à estação dos autocarros, o Kim Nghan 2, novinho a estrear e por apenas 150.000 VND! Convenceu-nos logo mas só depois percebemos que ficava a 5km do centro… E como taxis e autocarros parecem ser mentira nesta cidade, só nos restava uma solução chamada pernas! 😉
Pusémo-nos ao caminho e ainda demos uma volta inteirinha ao centro antes de voltarmos para trás. Ah, valentes! 🙂
Já estava escuro quando lá chegámos pelas 18h e, como era Domingo, as igrejas católicas estavam a transbordar de fiéis em celebração eucarística. Com incenso e néons mas católicos com a mesma fé! 🙂
O primeiro reconhecimento da cidade assim à noite não nos impressionou, mas o jantar, que nos fez recordar o nosso primeiro jantar na Tailândia, estava bom. 😉
O que nos trouxe a estas paragens foram os mercados flutuantes que abundam na região do Mekong Delta! Desta vez, queríamos experimentar uma coisa muito menos turística do que fizemos na Tailândia quando fomos ao mercado Damnoen Saduak que, apesar de termos gostado, saímos com a noção de que era totalmente fabricado para turista ver! Aqui, seria diferente, e foi!
O despertador tocou às 4h30 da manhã, porque estes mercados são para gente que madruga, e lá nos pusemos a caminho. O maior destes mercados é o Cai Rang a 8km da cidade, mas como o nosso hotel é longe da cidade até nem estávamos longe. A opção mais fácil são os tours em barcos turísticos que fazem este passeio pelo Mekong, mas desta vez queríamos uma coisa local! E conseguimos!!
Tivemos de regatear, claro, mas conseguimos encontrar atrás do porto Ben Tau, o dos barcos turísticos, um vietnamita que nos levasse na sua barcoleta pelo mercado adentro! 🙂
E lá entrámos no pequeno bote a motor, em total desequilíbrio porque ali não era sequer um cais. A meio caminho começou a chover e o rio ia ficando mais agitado cada vez que passava um barco maior, mas fez tudo parte da aventura! Levou-nos entre os grandes barcos comerciantes, e onde barcos mais pequenos como o nosso encostam para comprar! Aqui, ao contrário do mercado tailandês, não se vendem souvenirs, só mesmo produtos essenciais. Estes barcos vêm rio abaixo e rio acima de vários pontos do país cheios de frutas e legumes para vender nestes mercados, sendo facilmente identificável o que cada um vende, porque todos têm um mastro com a respectiva fruta ou legume pendurado.
Perguntou-nos, por gestos claro!, se tínhamos fome e dissemos que sim…ainda não tínhamos tomado o pequeno almoço!! E porque num mercado há sempre barracas de comida, num mercado flutuante é igual e atracámos a um outro barco que era um restaurante!

Entre o nosso barco e o barco-restaurante, estavam vários outros, por isso tivemos de passar por cima deles para lá chegar! 🙂
Uma sandes de ovo e uma grande tijela de noodles depois, estávamos prontos para regressar a terra! Quisemos comprar uma melancia num dos muitos barcos de melancias pelo caminho mas o nosso “comandante” não deixou…e até tentou explicar porquê, mas nós não percebemos… :/
Já de volta às margens foi um “Adeus Comandante e obrigada por este maravilhoso passeio!” Adorámos! 🙂
Deixou-nos junto ao mercado Cho An Binh, onde aproveitámos umas cadeirinhas de esplanada bem confortáveis para ficar a ver passar a azáfama das 8 da manhã, enquanto bebíamos um ice cofee! (E tão forte que é o café vietnamita!!)
Quando pensávamos como ir até ao centro da cidade, tivemos sorte, apareceu um autocarro na direcção quase certa! 🙂 bom, pelo menos ficámos mais perto… 😉
A cidade de Can Tho não é muito bonita, mas apesar de grande tem ambiente de terra pequena e as pessoas são mais simpáticas! A riqueza da cidade está nos seus templos e mercados engraçados e dedicámos o resto do dia a descobri-los!
A rua principal da cidade é a Mau Than Street, a maior da região com 30 km de comprimento, com lojas de um lado e do outro e modas que me fazem sempre lembrar as de uma loja numa aldeia portuguesa que ainda tenta escoar as modas de há 15 anos atrás…
O primeiro templo que visitámos foi o Munirangsyaram que quase parece um templo tailandês tal é a quantidade de dourados! Bonito! (Ficamos contentes por pensar que vamos voltar à Tailândia brevemente!)
Do outro lado da estrada reparamos num edifício bonito de vários andares e pensamos que deve ter uma vista bonita lá de cima. Afinal era mais um templo! Mas este de 3 andares! O Phật học Pagoda!
Os sapatos ficaram cá em baixo mas nós fomos subindo e a cada andar um novo altar com uma estátua diferente a quem os fiéis fazem oferendas. Em todos eles lá estão os incensos, as frutas, as bebidas e os Dongs.
O último anda é o melhor. Além da vista para a cidade e para o templo dourado do outro lado da rua, há um tambor e um sino gigantes à entrada, espanta espíritos no tecto que baloiçam com o vento e decorações no tecto. Lá dentro, destaca-se um Buda gigante de madeira e imensas esculturas. Só neste último andar nos cruzámos com outras pessoas.
Quando chegou a fome do almoço, ainda pensávamos que tipo de noodle queríamos comer, avistamos uma grande montra de variados pratos interessantes. Uns pareciam bifanas, outros pernas de frango e em bocados inteiros daqueles que não foram feitos a pensar em pauzinhos!!! Gestualmente percebemos que por 15000 VND nos dão um prato cheio de mistura dos vários cozinhados! Pareceu-nos tão bem!!

Afinal, ao trincar e só mesmo pela textura e sabor percebemos que estávamos num restaurante vegetariano! Nada daquilo era carne, mas vegetais bem disfarçados! Bom, lá saudável foi! E aprendam com os nossos erros: Chay em vietnamita quer dizer vegetariano! 😉
E para ganhar energia para a tarde, porque isto dos vegetais não puxa carroça, fomos beber um café a uma esplanada com vista para o pequeno lago artificial da cidade, o Ho Xang Thoi, e para os estreitos prédios tão típicos deste país.
Estávamos prontos para continuar o passeio, passando as pontes a que os vários canais do rio obrigam, e pelos mercados locais como o Cho Cai Khe.
Mais uns quarteirões e estávamos na zona ribeirinha da cidade, a Ninh Kieu, onde um jardim cheio de bancos virados para o rio e uma grande estátua do Ho Chi Minh fazem a zona mais turística da cidade.
A rua aqui é larga, cheia de cafés, restaurantes e hotéis, e foi onde pela primeira vez no Vietname vimos passeios que servem exactamente para as pessoas caminharem e não para estacionar scooters!!! 🙂
É no meio deste panorama que fica o Ong Pagoda, um templo de origem chinesa do século XIX com vários espaços e altares. Contámos pelo menos 6 mesas de queima de incenso que tornam o templo um autêntico fumeiro, onde é impossível estar muito tempo…e desta vez nós também contribuímos! 🙂
Com a noite a cair, estava na hora de tentar regresar de autocarro ao hotel! Mas às 7 da tarde já não há autocarros nesta cidade… Pena que tanta gente tenha passado por nós (e olhado) e só depois de uma boa meia hora que estivemos especados na paragem é que alguém nos avisou que já não iam passar mais…também é assim o Vietname! :/
No caminho até ao hotel parámos para jantar num restaurante apinhado de gente local. No menu, que tinha tradução em inglês, havia rato e cobra além de outras coisas mais normais. Foi difícil convencer o João a desistir de comer rato, mas consegui! Tarântula vá lá, mas rato???? Provavelmente de esgoto????
Foi a refeição mais cara da viagem toda até agora e não, não foi de propósito! Como é difícil a comunicação neste país…acabei por pedir, sem querer, uma galinha inteira só para mim! 🙁 Nem queria acreditar quando a travessa chegou à mesa com uns olhos esbugalhados de uma galinha a olhar para mim…
Não sabia se havia de rir, se havia de chorar mas, acompanhámos com uma cerveja Tiger, e lá demos conta do prato…
Foi assim o nosso passeio de 2 dias por Can Tho, onde um cabeleireiro promete penteados iguais ao do Cristiano Ronaldo, onde as crianças já não vão só em pé na mota mas em cadeiras improvisadas, e onde, depois de quase um mês de Vietname, infelizmente lá nos cruzámos com uma bancada de venda de carne de cão.











































3 comentários
Quantas aventuras 🙂 Imagino que foi difícil convencer o João a desistir do rato, mas também imagino o que ele se deve ter rido quando a galinha chegou à mesa 🙂 Estou a adorar os vossos relatos de viagem. Beijinhos
Não foi nada fácil mas nesta viagem ele ainda há de experimentar outras coisas diferentes! Obrigada pela companhia, São! Beijinho.
Acho mal!!!! deixa lá o rapaz comer o que quer!!! 😛