Como combinado, às 7h30m lá estávamos à porta da Camel Travel para apanhar o sleeper bus para Dalat. Só que desta vez não foi um sleeper que nos foi apanhar, mas sim um pequeno autocarro de lugares sentados, porque isto de estradas de montanha cheias de curvas tem que se lhe diga! Em Nha Trang estávamos ao nível do mar, mas Da Lat fica a 1500m de altitude, por isso foram 4 horas sempre a subir por estradas estreitas e esburacadas, mas com paisagens com um verde tão vivo que até se tornava difícil distinguir os vales das montanhas. O que também foi óptimo, foi a temperatura a baixar a cada metro que subíamos! 🙂
Já tínhamos reservado a primeira noite na homestay Cam Ly que, como era a 3km do centro, tinha pick-up gratuito da estação de autocarros por isso quando chegámos já estavam à nossa espera, de mota! Finalmente íamos andar à pendura de mota! Amarraram as nossas mochilas nas motas, deram-nos os capacetes e lá seguimos. Como dissemos que tínhamos fome, gentilmente levaram-nos a almoçar a um restaurante a meio caminho, antes de irmos para o hotel.

Mas como já seria de esperar no Vietnam, o pick-up gratuito e tanta gentileza tinham afinal uma razão de ser…queriam vender-nos tours de mota. Estávamos numa Guesthouse gerida por Easy Riders, que são basicamente motards com casacos de cabedal (é imagem de marca) em versão Vietnamita (pequenos e magros) que fazem de guias em viagens de mota pelo Vietname. Queriam vender-nos uma tour de 4 dias até “Saigon”, e não “Ho Chi Min City” que é um nome que eles não gostam muito…Só que nós, “Oh que pena, já temos o nosso bilhete de autocarro comprado até lá…” Ou, por outras palavras…fazer uma viagem de vários dias de mota à pendura de estranhos num país onde andar no trânsito é quase uma aventura suicida? Não obrigado! As reviews deste tipo de viagens até são boas, mas não é algo que nos cative. Depois de muita conversa e de nos tentarem dissuadir por várias vezes e de várias maneiras, lá concordaram em nos alugar uma scooter e deixar-nos ir sozinhos à nossa vida. Não foi fácil! Mas apesar de tudo, por 10USD com pequeno almoço incluído e com um quarto limpo e arejado, não ficámos nada mal instalados.
Como tínhamos ouvido dizer, Dalat é realmente uma cidade diferente. Fundada em 1897 pelos franceses como uma estância de montanha para repousarem e fugirem do calor, foi poupada dos bombardeamentos durante a guerra por um acordo entre as forças de Saigão e de Hanoi, o que ajudou a preservar alguns antigos edifícios coloniais franceses. Estrategicamente colocada à volta de um grande lago no meio de um vale cheio de montanhas à volta, toda a cidade foi crescendo em seu redor por ruas labirínticas entre vales e montanhas. Tudo isto dá-lhe um charme diferente do resto das cidades do Vietnam, e por isso há quem a compare com uma cidade dos Alpes Franceses que, apesar de não ser bem a mesma coisa, conseguimos perceber o porquê.


Para aproveitar o final de tarde, começámos por visitar o pagoda Linh Son, construído no topo de uma das muitas colinas de Dalat. Após passarmos um templo principal, entramos num pequeno jardim cheio de, como já é normal no Vietnam, Bonsais muito bem tratados! É incrível a quantidade de Bonsais que existem no Vietnam…já vimos muitos mais aqui do que na China! No jardim está também a atracção principal, um pequeno pagoda com muitos detalhes e cores, um dos mais bonitos e trabalhados que já vimos! Adoramos estes jardins dentro dos templos…são sempre muito sossegados e relaxantes!


Numa das pontas do lago está o Dalat Flower Park, um parque que por 20.000VND (1USD) de entrada delicia qualquer amante de flores. Mas, quando íamos entrar começou a chover, e as flores só são bonitas com Sol, por isso achámos melhor ir beber um chá e um chocolate quente para um café numa pequena ilha no lago. Quem diria que depois de um mês e meio a beber tudo o mais gelado possível, íamos beber de livre e espontânea vontade uma bebida quente!








Uma nota…apesar de parecer, este monge não está a rezar mas sim a tirar fotografias ao Buddha de Jade com o telemóvel de um dos muitos turistas locais que lhe pediu! 🙂
Neste templo existe também um enorme jardim com, claro, muitos Bonsais! E destacado estava o “pai” de todos os Bonsais…não conseguimos perceber o porquê deste Bonsai estar em destaque, mas era realmente enorme!

Numa zona interdita a turistas vemos uma bonita Stupa dourada, bem como uma grande área com os aposentos dos monges e outros edifícios de apoio, no meio de uma pequena floresta e tudo com vista para o lago. Não se deve viver nada mal aqui… 🙂




Ao longo da descida, se não nos distrairmos com a emoção da viagem, vamos vendo alguns riachos e cascatas, e o “carrinho” deixa-nos aos pés de uma das cascatas maiores, cheia de pessoas a tirar fotografias e selfies. Estava cheia de força a cascata e na tentativa de tirar a melhor fotografia, acabei por escorregar nas pedras, o que muito divertiu os turistas vietnamitas! 😛 Ficou tudo inteiro, eu incluído, e a mochila “nova” passou o teste!

O passeio continua descendo escadas de pedra e passando pequenas pontes ao longo do rio, sempre no meio de altos rochedos e arvoredo. Ainda foi uma descida valente, em que nos lamentámos que ia custar subir de volta, mas a grande cascata que vemos vale a pena o esforço! E mais haveriam se continuássemos a descer rio abaixo!


E afinal os senhores pensam em tudo…há um teleférico para preguiçosos que, por 30.000 VND, nos leva de volta à base da primeira cascata. Preguiçosos ou não, esta viagem não é para fracos de coração, num teleférico todo riscado e que, pelo barulho de ferro com ferro que fazia a arrastar-se, parecia precisar de manutenção…mas quando a meio da viagem esquecemos esses pormenores e apreciamos a vista, é bem engraçado! 🙂


O regresso até à entrada do parque, fizemos outra vez de Alpine Coaster! Estaremos viciados? Depois de uns vinte minutos numa fila desorganizada, onde toda a gente se atropela para passar à frente mas ninguém se chateia sem sermos nós, lá nos sentamos cada um no seu bobsleigh para subir montanha acima, agora puxados por uma corda de aço.

Depois de almoçarmos no restaurante do parque , aproveitando o abrigo da chuva que tinha começado a cair, seguimos caminho para ir até às maiores cascatas da zona, a 50 km de Da Lat, as sagradas Pongour Waterfalls!

Não foi uma viagem fácil na nossa scooter que devagar, bem devagarinho, com uma paragem pelo caminho porque recomeçou a chover, quase conseguiu chegar lá! A paisagem é bonita mas a estrada estava tão congestionada de camiões que passamos a viagem toda a levar buzinões nos ouvidos e a circular na berma…afinal, a prioridade aqui é por tamanho e a contra mão um modo de vida!



De repente, avistamos uma mota com duas pessoas a aproximar-se e fazemos gestos na esperança que tivessem pelo menos uma bomba de ar que permitisse encher o pneu para que aguentasse connosco em cima, pelo menos até mais à frente…não tinham! Mas tinham outra coisa para oferecer: uma boleia para a Joana! E, sempre por gestos porque inglês ou qualquer outra língua é mentira, insistiram que eu sozinho já podia ir montado na scooter sem problema.
E lá foi a Joana, montada numa scooter com três pessoas, agarrada à velhota do meio e a escorregar para fora da mota, mas feliz com a bondade vietnamita que não abunda! E eu, de scooter com pneu furado, devagarinho estrada fora até uma oficina próxima onde nos levaram 100.000 pela reparação… (Tínhamos pago 60.000 em Da Nang)

Problema resolvido, scooter como nova, voltámos ao caminho e desta vez chegámos até à porta do parque das cascatas que…TINHA ACABADO DE FECHAR! 
Por isso, o passeio foi giro, a aventura também, fica a história da viagem até lá. Sobre as cascatas de Pongour não podemos opinar, mas dizem que são sagradas e muito bonitas! Mas como ainda estamos no início das chuvas nem deviam ter muita água…! 😉
De volta a Dalat fomos à Catedral Católica, ou a igreja do galo como os locais lhe chamam, onde estava mesmo a terminar uma missa. É uma catedral imponente e bonita, que podia facilmente estar em qualquer cidade europeia! 

Ainda demos um salto à antiga estação de comboios, que agora é usada apenas para se dar um passeio de 7km num comboio turístico e para acabar o dia fomos jantar uma sopa e umas espetadas ao mercado nocturno.






