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De Chiang Rai a Mae Salong

  • 14 de Maio, 2015
  • João
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Apesar de continuarmos no conforto da Grandma Kaew, hoje foi dia de acordar cedo para ir até à montanha de Mae Salong, 80 kms a Norte de Chiang Rai. Alugámos uma scooter no hotel, desta vez sem ser necessário deixar caução, e pusemo-nos à estrada. Mal fizemos os primeiros kms deu para perceber que esta Yamaha Mio não era a mesma coisa que a primeira Honda Click, até porque a partir dos 80 km/h começava a engasgar-se…

As estradas são bem sinalizadas, com placas também em Inglês, pelo que foi fácil encontrarmos a nossa primeira paragem do dia, o Terminal 2 dos autocarros, a 10km do centro da cidade. Para não termos surpresas, desta vez viemos comprar os bilhetes com antecedência, para amanhã irmos para Huay Xay, no Laos! Daqui existem duas opções principais para entrar no Laos: uma é apanhar um autocarro até Chiang Kong, depois um Tuk Tuk até à nova Friendship Bridge, depois um autocarro para atravessar a ponte (porque não se pode ir a pé), e depois de passar a fronteira, apanhar um Sawngthaew até ao centro da cidade.  A outra é apanhar um autocarro internacional que liga Chiang Rai directamente a Huay Xay, sem trocas ou Tuk Tuks caros pelo meio. E foi exactamente o bilhete para este autocarro que comprámos, por 220 Baht cada um, para as 10h da manhã de amanhã.

De volta à scooter, fizemos mais 5km até à atracção principal de Chiang Rai, o Wat Rong Khun ou o White Temple. É realmente um templo muito bonito e muito diferente de qualquer outro templo na Tailândia, e grátis! Chalermchai Kositpipat, visionário e artista de renome da Tailândia, criou o Templo propositadamente branco para que transmitisse paz, e para fugir da ostentação do dourado dos outros Templos, pois acredita que a procura de riqueza não combina com a sua religião. Segundo o artista, o conjunto de edifícios do templo só ficarão finalizados em 2100, tal como a Sagrada Família de Gaudi em Barcelona, este é um projecto para lá da vida do autor. “Only death can stop my dream, but cannot stop my project,” Diz o artista que está a financiar do seu bolso este projecto pela sua religião e também pelo seu país, acreditando que o tornará imortal!

Wat Rong Khun ou White Temple, Chiang Rai, Tailândia
Wat Rong Khun ou White Temple em Chiang Rai na Tailândia
Entrada para o Wat Rong Khun ou White Temple, Chiang Rai, Tailândia
Entrada para o Wat Rong Khun ou White Temple em Chiang Rai

Há duas semanas atrás sentiu-se em Chiang Mai um tremor de terra de intensidade média, que causou alguns danos na estrutura do Templo principal, por isso o interior estava interdito a visitas. Não conseguimos ver uma das partes mais curiosas do Templo, as pinturas de super heróis e do Neo do Matrix nas paredes internas do edifício, que segundo o criador servem para mostrar que na vida real não existem super heróis mas antes que tem de ser o homem a salvar-se!Mas ainda deu para espreitar lá para dentro por uma das janelas laterais, e as pinturas que conseguimos ver são realmente de um detalhe e qualidade impressionantes.

Wat Rong Khun ou White Temple em reparação após sismo, Chiang Rai, Tailândia
Wat Rong Khun ou White Temple em reparação após sismo, Chiang Rai

No recinto, existe também um pequeno museu com obras do artista, onde se podem ver esculturas em vários materiais e pinturas com temas espirituais e religiosos, com tanta cor e detalhe que não parece sequer possível que tenham sido pintados à mão. É um sítio que vale a pena visitar, tudo o que lá está tem um significado interessante, os espelhos, as mãos, os guardiões do céu, um robot e até uma estátua de um Predador do filme… O templo é algo fantasmagórico e ao mesmo tempo futurista e pacífico…

Figuras de ficção junto ao Wat Rong Khun ou White Temple, Chiang Rai, Tailândia
Figuras de ficção junto ao Wat Rong Khun ou White Temple, Chiang Rai

De volta à estrada, rumámos à montanha e como ainda eram 80 kms até Mae Salong, e o Sol já estava a começar a ficar forte, besuntámos-nos de protector solar e vestimos mangas compridas. Temos reparado que quem passa muito tempo ao sol, como por exemplo trabalhadores das obras (muitas mulheres!) ou do campo, estão vestidos de calças e camisas de manga comprida, com luvas e muitas vezes com a cara toda tapada, e a andar de mota debaixo do Sol forte percebemos porquê! Uma nota para quem estiver a pensar fazer algo parecido, se não tiverem luvas, ponham creme protector na parte de cima das mãos porque aqui o Sol queima mesmo.

Os primeiros 40kms foram de “auto-estrada” com cruzamentos, semáforos, check points da polícia, scooters a andar a abrir na berma com outras em sentido contrário e, a cereja no topo do bolo, zonas para inversão de marcha onde num lado do separador central temos carros a andar a mais de 120 km/h, e do outro carros a tentar dar a volta para entrar nessa mesma faixa…mas a nossa pequena scooter superou tudo isso, não estávamos era a contar com o que vinha a seguir. Saímos da auto-estrada e parámos para almoçar num restaurante de beira da estrada, onde comemos um belo fried rice com porco feito numa cozinha ao ar livre…Já no Sri Lanka tínhamos estado num hotel com a cozinha ao ar livre, e é um conceito que realmente nos agrada! Pena que em Portugal não se veja muito…

Almoço a caminho de Mae Salong, perto de Chiang Rai, Tailândia
Almoço a caminho de Mae Salong, perto de Chiang Rai

E foi a partir daqui que as coisas complicaram…não sei se foi de termos ganho peso com o almoço, ou se foi das subidas ficarem cada vez mais íngremes, mas a scooter, a cada subida que aparecia, começou a abrandar mais e mais, até que deixou de conseguir subir de todo. Solução, sempre que a subida era mais a pique um de nós saía da mota e ia a pé, enquanto o outro conduzia até uma zona mais plana. Felizmente não foram muitos kms disto, mas já deu para cansar. O que nos passou imediatamente pela cabeça foi…e agora como vamos fazer o caminho inverso se houve descidas ainda piores que as subidas…? Decidimos não pensar nisso e fomos visitar a cidade.

A scooter sem força nas subidas até Mae Salong, Tailândia
A scooter sem força nas subidas até Mae Salong
Vista panorâmica em Mae Salong, perto de Chiang Rai, Tailândia
Vista panorâmica em Mae Salong perto de Chiang Rai na Tailândia

Mae Salong não é uma China Town, é a China da Tailândia! Para aqui fugiram tropas chinesas no final da guerra civil da China, e em troca do asilo ajudaram a combater o avanço comunista pela Tailândia. Ali ficaram, numa terra que hoje é só deles e do seu chá Oolong, pelo que a cada esquina vemos folhas de chá, inteiras ou moídas, a secar à beira da estrada e várias plantações de chá pelas encostas da montanha. A cidade em si não é nada de extraordinário, mas toda a paisagem envolvente é realmente bonita e também é interessante ver a marca chinesa por todo o lado.

Vista para um vale em Mae Salong, Tailândia
Vista para um vale na cidade de Mae Salong

Seguimos estrada fora sem coragem de voltar pelo mesmo caminho, até que resolvemos dar uma olhadela ao caminho que tínhamos visto no Google Maps antes de sair do hotel, e reparámos que não era o mesmo por onde tínhamos vindo. Pior não podia ser, certo?! E se também não desse, em ambos os casos teríamos que arranjar alguém com uma pick-up para nos levar a scooter até uma estrada mais plana, por isso decidimos arriscar…viramos para o que parecia ser uma estrada secundaria e lá fomos nós a medo. A paisagem por aqui ainda era melhor, e passámos por aldeias realmente no meio do nada, mas a estrada que começou por ser pavimentada transformou-se rapidamente em buracos e cascalho mais apropriada para o nosso jipe que ficou a descansar em Lisboa, do que para uma scooter com rodas de bicicleta. Mas resumindo, felizmente a estrada era quase sempre a descer, e as poucas subidas que surgiram a mota conseguiu subir! Mas o final foi tão tão a descer que ficámos sem o travão da frente…felizmente foi mesmo no fim já a chegar à estrada principal! Obrigado por existires offline Google Maps! 🙂

As estradas destruídas da Tailândia
As estradas destruídas da Tailândia

Continuámos caminho e parámos num jardim com um lago que tínhamos visto à ida, que ao entrar percebemos que eram umas “Hot Springs”! Não que apeteça muito tomar banho com água a ferver quando estão 40 graus, mas não resistimos! A Joana esteve debaixo de uma espécie de géiser a “refrescar-se” e eu estive com os pés de molho a 65 graus…claro que não aguentei muitos segundos…

Hot Springs perto de Chiang Rai, Tailândia
Hot Springs perto de Chiang Rai, Tailândia

 

Lago no parque das Hot Springs, perto de Chiang Rai, Tailândia
Lago no parque das Hot Springs, perto de Chiang Rai

De volta a Chiang Rai, e estafados dos 200kms na scooter mais todas as peripécias do dia, lá fomos nós experimentar a tão badalada massagem Tailandesa! Foi uma hora de apertos, joelhadas e cotoveladas pelo corpo TODO (mas sem o tal final feliz!) que soube mesmo bem depois de um dia tão cansativo, e isto por 170 Baht (menos de 5€) cada!

E foi uma óptima despedida (ou neste caso um até já) da Tailândia, porque amanhã é dia de rumar ao Laos!

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2 comentários
  1. Rita diz:
    15 de Maio, 2015 às 3:48 pm

    Entregaram os cacos da scooter ao dono.

    Responder
  2. São Abreu diz:
    16 de Maio, 2015 às 5:25 pm

    Finalmente a “tal” massagem 😉

    Responder

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