Hoje foi dia de pôr o despertador para as…4h45m da manhã. Sim, foi mesmo muito cedo! E isto porque queríamos ver a cerimónia budista “Alms Giving”. Nesta cerimónia, que se celebra todos os dias ao nascer do Sol, os monges saem dos vários templos da cidade e andam pelas ruas com potes na mão para recolherem doações de comida para as suas refeições do dia, normalmente arroz cozido, que é entregue em mãos pelas pessoas que estão espalhadas pela cidade à sua espera.
Lá acordámos a muito custo e dirigimo-nos para o portão de saída da Guesthouse, que estava trancado a cadeado! Estamos a falar de um portão bem alto que não dava para saltar e de uma Guesthouse que são duas vivendas também separadas por um muro, e que por azar os anfitriões dormem na do lado. Esperámos uns minutos na esperança que alguém se lembrasse que poderiam haver turistas que queriam ver a cerimónia, mas foi em vão. Começámos a pensar que iríamos ter que madrugar outra vez amanhã, o que não apetecia nada…Solução? Saltar o muro para a outra vivenda e pedir para abrirem o portão da rua. Felizmente encontrámos um escadote senão teria dado muito mais trabalho! Batemos à porta e lá veio um rapaz ensonado abrir-nos o portão. Apesar do percalço, chegámos mesmo a tempo do início da cerimónia.

Ao chegarmos a uma das ruas principais, fomos recebidos por várias vendedoras ambulantes a dizerem-nos para nos sentarmos numa manta que estava estendida no chão e a tentarem vender-nos potes de bambu com arroz para oferecer, e também cestas com bolachas e chocolates. Percebemos que estão a fazer pela vida mas, ao vender a comida mesmo em frente aos monges, e ao incentivar turistas a participar na cerimónia (sem saberem muito bem como e porquê), as vendedoras acabam por estragar um pouco o sentido religioso que toda a cerimónia tem. Não aceitámos e limitá-mo-nos a assistir de “fora”, apesar de vermos muitos turistas a participarem, dentro do possível, nos rituais. É muito interessante ver todo o ritual de entrega do arroz aos monges. Os locais retiram de um pote, com a mão, um monte de “sticky rice”, fazem uma bola, levam-no à cabeça e colocam-no dentro do pote de cada um dos mais de cem monges, um a um. Parece demorado, mas até nem o é, e em menos de meia hora todos os monges dão a volta às ruas principais da cidade e voltam para os seus templos. E nós…voltámos para a cama!

Quando voltámos a acordar, fomos à procura de Tuk Tuk para nos levar às cascatas de Kouang Si. A ideia inicial era alugarmos uma scooter, mas aqui ainda não “conhecem” o conceito de depósito/caução, apenas o de deixar o passaporte, o que vai contra a nossa “religião”. Assim, um Tuk Tuk partilhado também era uma boa opção, e saía ainda mais em conta. Com um bocadinho de sorte, e algum regateanço, conseguimos ida e volta por 30000 Kpi, menos 20000 Kip que o valor “normal”, e lá fomos nós, e mais 4 japoneses, 30 quilómetros montanha acima na parte de trás de uma minivan pick-up. Os vales e montanhas à volta de Luang Prabang são realmente bonitos, e com o passeio passámos também por algumas aldeias mais típicas, campos de arroz e pontes de qualidade duvidosa.


Mas espectaculares mesmo são as cascatas, com uma grande inicial a criar uma enorme piscina, que depois vai criando outras cascatas mais pequenas, dando origem a vários níveis de pequenas piscinas naturais montanha abaixo. É realmente uma obra prima da Natureza. E porque a nascente é mesmo ali, a água é bem fresca e limpa, e assim pode-se tomar banho, bastando somente escolher qual a piscina que tem a nossa cara! E encontrámos uma toda só para nós, o que nos soube ainda melhor! E depois de vários dias com 40 graus, este banho de água fria no meio da montanha veio mesmo a calhar para recompormos!
No meio do parque natural onde as cascatas estão inseridas, existe também um centro de protecção e recuperação de ursos que foram caçados e/ou maltratados, onde podemos ver alguns dos ursos resgatados.

De volta à cidade, fomos para o quarto descansar um pouco da viagem saltitante de Tuk Tuk até chegar à hora do pôr-do-sol, que fomos ver ao ponto mais alto da cidade, o Mount Phosi, no topo dos seus mais de 300 degraus. Um dica, se forem depois das 18h30m não pagam 20000 Kip de entrance fee. A vista sobre a cidade envolta em montanhas, com o rio Mekong pelo meio, e com o Sol a pôr-se é realmente algo a não perder em Luang Prabang, e por isso estar sempre repleto de turistas e locais a apreciar a paisagem. Apesar de atulhado de gente, vale a pena subir ao topo do Mount Phosi para ver o pôr-do-sol!






2 comentários
Lindo
Que imagens lindas!