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Um saltinho a Malaca, Malásia

  • 21 de Julho, 2015
  • Joana
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Não é uma viagem “portuguesa com certeza” se estamos num país que cruzou a história de Portugal e não vamos ver as marcas que lá deixámos. Foi assim que fizemos na nossa viagem por Marrocos com El Jadida, com Macau na China, Galle no Sri Lanka, Goa da India ou Porto Seguro no Brasil. Malaca não podia ser excepção!

Não há comboio para Malaca por isso tivemos de voltar a andar de autocarro… Sem grande problema, afinal são apenas 2 horinhas de caminho desde Kuala Lumpur. 🙂

A gestão dos autocarros inter cidades na Malásia é muito mais inteligente e fácil. No Vietname, para encontrar a camioneta certa tínhamos que fazer uma procissão na estação aos guichets de cada companhia (e eram muitas!) para saber se tinham autocarros para o destino que queríamos, os preços e horários, e depois escolher. No Cambodja (pelo menos na capital e em Siem Reap) é pior ainda! Não existem estações de autocarros e para termos informações e escolhermos o autocarro temos que perguntar nos escritórios das várias companhias que estão espalhados pela cidade…
Há sempre outra opção, que usámos algumas vezes, de reservar no hotel, e no dia da viagem alguém nos vem buscar e leva até ao autocarro. Nestes casos, ficamos sujeitos a um extrazinho de comissão para o hotel, mas pode compensar a chatice.

Aqui na Malásia, em Kuala Lumpur, o enorme Terminal Bersepadu Selatan de onde saem os autocarros para o sul do país parece um aeroporto, com gates de saída para os autocarros e tudo, e está mais organizado. Nos vários guichets existentes, que centralizam todas as companhias, podemos comprar qualquer trajecto. Ou seja, pede-se o destino e o horário pretendido e vemos num monitor as opções. Compramos e ainda nos atribuem os lugares na hora.
Para Malaca estávamos avisados que havia autocarros a cada meia hora e por isso fomos quando nos apeteceu ir! Chegámos à estação às 14h e optámos por ir no das 15h para ter tempo de almoçar antes.

A viagem fez-se bem num autocarro confortável, por uma auto estrada cheia de carros, por 13 RM, cerca de 3,50€ cada um, e em 2 horas, 122 km depois, estávamos a entrar no trânsito de Malaca!
Mais uma cidade que sofre, e muito!, com o trânsito da hora de ponta!!
A estação de Melaka Sentral é enorme, cheia de restaurantes, um McDonalds, lojas e um Tesco.

Para chegar ao centro da cidade de Malaca há táxis e há o autocarro N°17! Por 1,5RM este autocarro leva-nos bem ao centro da cidade. E era mesmo aí o nosso hostel. Decidimos reservar com antecedência porque, com o final do Ramadão, há 2 dias seguidos de feriado que, juntando ao fim de semana, dá umas belas férias ao povo da Malásia! Estava tudo a esgotar!!

Conseguimos um dos últimos quartos disponíveis no Booking.com na Sayang Selalu Guest House. Bastante básico mas ganhou-me logo à chegada com um gatinho bebé muito amoroso! 🙂

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Saímos para descobrir a Malaca à noite e para jantar num restaurante recomendado pela rapariga da recepção. Era um bocadinho longe, uns 20 minutos do centro, mas valia mesmo a pena, dizia ela! Não somos pessoas para recusar uma indicação valiosa destas e fomos até lá! Infelizmente, estava fechado…feriados!… Aqui fica o nome do restaurante e se alguém mais sortudo que nós conseguir experimentar diga-nos qualquer coisa! É o Pak Putra Naan and Tandori na Kota Laksamana.

A primeira vista da cidade foi já de noite e de vez em quando lá se iam ouvindo foguetes e fogo de artifício de várias direcções. Eram os festejos do fim do Ramadão!
Mas de noite, o que mais salta à vista na cidade são, sem dúvida, os cycle rickshaws iluminados. Nem sei bem como descrever uma coisa tão descabida e pirosa… É capaz de me ficar mal dizer isto mas são tão maus que afectam, talvez com danos irreversíveis, a vista e os ouvidos! São bicicletas decoradas de Hello Kitty, Iron Man, Princesas e muitos corações, que tocam música completamente distorcida de tão más que são as colunas. Mas, os turistas locais e chineses pelos vistos são fãs e o negócio faz sucesso em Malaca…
A sério que não percebo…

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Se as conseguirmos distinguir dos néons a piscar destas bicicletas em formato Hello Kitty, as pontes da cidade também são iluminadas e há um Hard Rock bem engraçado numa delas.

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A noite no nosso primeiro quarto sem janela (Tanto fugimos que um dia tinha de acontecer!) foi tranquila e o pequeno almoço ainda mais. Não se vê ninguém do hotel ao acordar e de repente parece um hotel fantasma… Foi um problema para reservar a segunda noite…mas resolveu-se!

Iniciámos o dia com a visita ao que mais motivou a nossa passagem por aqui, o bairro português! Não foi uma caminhada fácil mas, por ser feriado, não havia autocarros… Uma grande placa informa que chegámos ao Portuguese Settlement e as ruas mantêm os nomes de apelidos portugueses mas pouco mais faz lembrar que cá estivemos uns 130 anos. Existem 3 ou 4 restaurantes que se entitulam portugueses mas entre caril, gengibre e arroz frito a única coisa que podemos associar é mesmo o peixe e o marisco em restaurantes junto ao mar, onde há barcoletas de madeira de pescadores.

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Apenas o Restaurante Lisbon estava aberto. Parece que o bairro só ganha vida ao fim da tarde com locais e turistas atrás de bom marisco.
Aqui vivem os Kristang, oriundos da mistura entre portugueses e malaios. São católicos e exibem com orgulho cruzes com Jesus Cristo a cada porta das vivendas e imagens de Nossa Senhora. Falam um crioulo que dizem ser mistura de português e malaio, mas nada nos soou ao que quer que fosse.

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Acabámos por fugir do marisco da Portuguese Square e quando já tínhamos desistido de almoçar em terras “lusas”, vimos uma vivenda cheia de gente nova a comer. Parecia a casa de alguém, mas ao mesmo tempo a placa dos gelados dizia-nos que era um restaurante…entrámos a medo e uma velhota veio direito a nós perguntar o que procurávamos, num inglês bastante bom. “Queríamos almoçar”, respondemos nós! Ela apontou-nos para uma mesa e disse que ali não havia marisco e que a comida era muito simples! Insistimos que era mesmo isso que queríamos! 🙂
Comemos uma boa pratada de arroz e outra de noodles, crepes chineses, tudo vegetariano, com ovo e vegetais! Para terminar, uma fatia de bolo de banana! Tudo caseiro e muito barato.

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Voltámos a pé para o centro da cidade onde ainda há vestígios da presença portuguesa, mas poucos! Da fortaleza construída no século XVI, a que demos o nome “A Famosa”, resta apenas uma das portas, a Porta de Santiago.

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No topo de uma colina, sobrevivem também as ruínas da Igreja de São Paulo onde foi sepultado o jesuíta São Francisco Xavier que muito pregou por estas bandas. Agora do Santo resta apenas uma estátua e o túmulo vazio, sendo que o mesmo foi transferido em 1637 para a Igreja do Bom Jesus em Goa! E é verdade que nós já o visitámos lá em 2011! 🙂

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E como os holandeses conquistaram Malaca aos portugueses em 1641, aqui deixaram também alguns vestígios, mais presentes bem no centro da cidade na Dutch Square ou Red Square. Aqui, encontramos os edifícios vermelhos deixados pelos holandeses. O Stadthuys, com a sua torre do relógio, era o City Hall da altura, o centro administrativo holandês. É agora o Museu histórico e etnográfico de Malaca. O outro edifício de arquitectura holandesa é a Christ Church, sendo o que mais sobressai nesta praça central.

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E por ser a praça mais central da cidade, aqui se reúnem os tais cycle rickshaw que enchem a cidade nas suas voltinhas. Na mesma rotunda, estão placas indicativas da direcção e quilómetros de distância de Malaca a vários pontos do mundo. Por exemplo, Lisboa. De Malaca a Lisboa são 10432 km. Estamos longe! 🙂

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Também perto estão situados o Memorial da Proclamação da Independência e uma réplica de madeira do que terá sido o Palácio do Sultão. O único museu que estava aberto neste feriado e nos deu uma visita esclarecedora do que seriam as reuniões do Sultanato, os fatos da época e o jardim proibido do Sultão.

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Explorada a zona mais histórica da cidade, fomos descobrir o que faz a Malaca de hoje. Partimos à descoberta da Little India que fica a uma curta caminhada. Ao início, não parecia mais que um bairro um bocadinho sujo e sem nada de interessante para ver, mas alguém cruzou o nosso caminho.

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Mal tínhamos entrado pelo arco que abre a rua principal da Little India, passámos por um restaurante indiano cheio de gente. O João, apesar de termos acabado de lanchar, quis ir espreitar as bandejas de comida já a sonhar com a possibilidade de voltar mais logo para jantar. Ao entrar, um indiano perguntou-nos se nos queríamos sentar, e dissemos que queríamos só ver o que havia porque agora estávamos cheios. Como sempre, havia muita variedade e tinha tudo muito bom aspecto, mas estávamos realmente cheios. Continuámos pela Little India adentro, até que ao virar numa esquina vimos uma fila enorme à porta de um restaurante e dirigimo-nos para lá com curiosidade. No dia a seguir ao Ramadão é costume oferecer-se comida, podia ser que tivéssemos sorte…mas afinal era o restaurante Capitol Satay, um dos mais famosos de Malaca, e que normalmente tem grandes filas à porta.

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Do nada, o indiano simpático do primeiro restaurante que espreitámos, chama o João do outro lado da estrada. Disse-nos que não muito longe dali havia um templo Sikh, e que ofereciam comida a qualquer pessoa que lá fosse. Confesso que fiquei desconfiada, mas decidimos seguir o homem, que entretanto se juntou à mulher e à filha. Pelo caminho foi-nos explicando que é comum os Sikhs oferecerem comida a todas as pessoas independentemente da religião. Nas nossas viagens, já tínhamos tido uma boa história com um Sikh. Um simpático alfaiate de Nova Delhi, na India, que vendeu ao João uma camisa por um preço justo, e que até lhe pediu para tirar uma fotografia com ele. A nossa única experiência com Sikhs era bastante positiva, por isso isto até podia ser verdade! Depois de andarmos uns minutos, chegámos ao Gurdwara Sahib Melaka, o templo Sikh de Malaca.

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A filha foi a uma cesta à entrada e trouxe-nos dois lenços para taparmos a cabeça. Disseram-nos que tínhamos de nos descalçar e seguimos o nosso novo amigo para dentro de um enorme salão/cantina com mesas corridas e bancos, chamado de Langar. Ele perguntou qualquer coisa a um pessoa atrás do balcão e disse-nos que ainda estavam a preparar a comida. Deu-nos um prato com pakora para irmos petiscando, duas canecas para tirarmos chá preto com leite e disse-nos para nos sentarmos. Afinal, ele não ia ficar ali connosco mas fez questão de nos encaminhar. Disse-nos para tirarmos a comida que quiséssemos quando estivesse pronta e seguiu o seu caminho. Era mesmo verdade! Ficámos por ali um bocado, a observar os Sikhs sentados nas outras mesas, que não estranhavam a nossa presença, e a ver numa televisão na parede uma cerimónia em directo do templo que era ali mesmo ao lado.

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Mas realmente estávamos cheios e não queríamos jantar. Por isso comemos as nossas entradas, bebemos o nosso chá, devolvemos os lenços na cesta da entrada, e saímos com um sorriso na cara por termos tido a sorte de viver mais uma experiência diferente e enriquecedora nesta viagem.

E porque é de etnias que parece viver esta cidade, foi pela China Town que continuámos o nosso passeio. Para lá chegar atravessa-se uma das pontes sobre o rio Melaka, que dariam boas vistas não fossem muitos dos prédios estarem tão degradados…

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São várias as ruas que compõem este bairro chinês, e algumas a precisar de reabilitação, mas é na Jonker Street que tudo vem dar.

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São bancas e bancadas, lojas, cafés e restaurantes que já muito pouco têm de chineses ou malaios e muito de turista. E a multidão que estava fez-nos lembrar que era fim de semana comprido. Mas veio tudo passear até Malaca? Não se conseguia andar sem ser em grandes manadas de gente, ao estilo de noite de santos populares mas pior porque para os chineses não existe o conceito de espaço individual. :p

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Pela China Town fomos vendo à venda as habituais chinesices de bonecas voadoras, muita durian mal cheirosa, gelados feitos ao momento, templos chineses e até uma estátua ao “Pai dos bodybuilders” da Malásia!

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E entre tanta coisa diferente, uma mais familiar ou nem por isso… Vimos uma banca a vender peixe grelhado à moda portuguesa. Pelos vistos, a nossa moda é envolver o peixe em alumínio. Já ouvimos falar do peixe ao sal, será isso?

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Assim foi a nossa breve passagem por Malaca, uma cidade que não conseguimos adjectivar numa só palavra sem ser “estranha”. Cheia de história como é, talvez esperássemos um pouco mais de alma e que fosse muito mais genuína. Encontrámos uma Malaca um bocadinho estragada, onde apenas os centros comerciais dão sinal de vida moderna, e um passado retratado em espaços demasiado artificiais. Talvez o facto de termos vindo nos feriados do fim do Ramadão, em que os museus estão todos fechados e as ruas inundadas de pessoas não tenha ajudado…ah, e as bicicletas táxi cheias de néons e música distorcida também não…!

Já o lema da cidade, fruto de uma campanha política de sensibilização da população para que se mantenha a cidade limpa, fez-nos sorrir sempre que o víamos! 🙂

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Agora é um Adeus Malásia e é também um Adeus a uma Ásia maravilhosa para entrarmos numa outra bem diferente, mas que esperamos igualmente curiosa! Aqui vamos nós a caminho de Singapura, o destino final desta aventura! 🙂

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2 comentários
  1. António Duarte diz:
    5 de Outubro, 2016 às 3:17 pm

    Boa tarde. Vou viajar á Malásia em breve e uma das paragens será Malaca. Gostaria que me informasse qual o nome do restaurante da velhinha com a comida caseira onde almoçaram pois gostaria de almoçar lá também.

    Obrigado

    Responder
    1. Joana diz:
      11 de Dezembro, 2016 às 1:29 pm

      Olá António. Será que vamos a tempo? 13, Jalan D’Albuquerque, 75050 Melaka, Malaysia
      Boa viagem!!!

      Responder

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