Ao quinto dia de Kuala Lumpur, acordei com uma sensação estranha…seria do ar condicionado ligado a noite toda? Seria melhor tomar já um Brufen para a coisa não piorar? A Joana entretanto acordou e lá me disse…”Parabéns!” Pois, para esta “doença” não há remédio possível! Assim, e porque a idade não perdoa, hoje era para levar tudo ainda mais nas calmas do que o costume e por isso só tínhamos dois planos principais para o dia: ir às Batu Caves e ir celebrar o meu aniversário com um mega jantar de buffet do Ramadão no Hotel Royale Chulan.
Kuala Lumpur no Ramadão
É normal durante o mês do Ramadão os restaurantes terem para o jantar buffets comemorativos. Sim, porque isto depois de um dia inteiro sem comer o corpo pede muito alimento! O meu pedia de certeza…! E parece que é comum os hotéis mais luxuosos “competirem” entre si por servir o melhor e maior buffet de Ramadão. Com a recomendação e a muito preciosa e incansável ajuda da Vinee, uma das recepcionistas do Lantern Hotel, conseguimos uma mega promoção de última hora no Groupon que, por causa de um bug no site, só depois de alguns telefonemas é que lá se conseguiu marcar o jantar para o dia dos meus anos. Once again, thank you Vinee! 🙂
Depois de mais um pequeno almoço na varanda do hotel com a tal vista sobre a China Town (em todos os posts sobre Kuala falamos destes nossos pequenos almoços, porque é sempre um momento alto do dia!), seguimos para a antiga estação de Kuala Lumpur, com uma curta paragem no templo Sri Mahamariamman, um templo Hindu que há na China Town, e o mais antigo de KL. Renovado em 1968, quando foi construída uma torre muito detalhada e bem conservada na entrada, tem também no interior algumas imagens coloridas, azulejos espanhóis e italianos, pedras preciosas e muito dourado.




Visitar as Batu Caves
Chegados à estação, fomos comprar o bilhete para apanhar o comboio KTM Commuter. Os transportes públicos aqui, apesar de não serem muito pontuais, são todos muito baratos, e assim, por pouco mais de 50 cêntimos fomos até às Batu Caves, que ficam em Selangor, 15 km a Norte da cidade. As Batu Caves são um enorme complexo Hindu, um dos maiores fora da Índia, com vários templos ao longo de várias cavernas em montanhas de calcário, sendo o templo principal situado a meio, na Temple Cave. A zona é também famosa pela escalada que estas rochas permitem fazer.
Começámos por visitar as Ramayana Caves que, apesar de não serem gratuitas como as principais (a entrada custa 5RM), estão à esquerda quando se entra na zona das Batu Caves vindos da estação de comboio. À porta, uma estátua de um enorme “Michael Jackson” versão guerreiro Hindu, chamado Hanuman, o rei dos macacos. Estranhamente, mais ninguém das dezenas de turistas que vieram connosco no comboio entrou nestas cavernas, mas nós adorámos ver lá dentro as imensas estatuetas coloridas de figuras a relatar várias histórias Hindus. Uma história épica da literatura indiana chamada Ramayana, ou A viagem de Rama, um avatar do Deus hindu Vishnu. No meio da câmara maior existe uma enorme escadaria até ao topo da caverna, e onde está uma gigante estalagmite de formato fálico, um símbolo da Deusa Shiva.






Seguimos para a atracção principal, o Temple Cave. Não tem nada que enganar, além de ter à entrada uma estátua dourada com 42,7m de altura do Lord Murugan, uma divindade Hindu, tem uma larga escadaria de 272 degraus que se tem de subir para chegar à caverna.


Os macacos das Batu Caves
A caminho fomos vendo umas barraquinhas que vendiam comida para macacos (sacos com fruta), e quando começámos a subir a escadaria vimos várias placas a pedir para não se dar comida aos macacos, o que nos deixou um bocado “baralhados”! Mas há uma razão de ser para isto…é que aqui há quase tantos macacos a passear como pessoas! Atraídos pela comida que os turistas lhes dão, e por muita comida e bebida que conseguem roubar aos mais distraídos, famílias inteira de macacos andam nos corrimãos das escadas, no chão, nas árvores, nos telhados, nas rochas, nos templos, em todo o lado! E não têm nenhum medo ou pouco à vontade ao pé das pessoas, antes pelo contrário, gostam de andar perto para conseguirem ver melhor o que conseguem roubar. Apanhei um a espreitar para dentro de uma mala de uma senhora e, enquanto estivemos por lá, vimos 2 garrafas, uma lata de bebida e um cacho de bananas a serem roubados. Até ouvimos uma história de um macaco que roubou uma GoPro a um turista e que andou a passear com ela pela gruta, e de certeza que diariamente há dezenas de história destas para contar. Não que seja uma novidade, mas evitem meter-se com os macacos…eu para chamar a atenção de um para tirar uma foto pus-me a fazer sons e ia levando uma dentada! O susto valeu para me relembrar desta regra básica… 🙂




Apesar de acabarem por se tornar na atracção principal, os macacos não são o que traz milhares de pessoas aqui diariamente, mas sim os vários templos religiosos dentro das grandes cavernas.


Depois de visto o templo principal e descendo a escadaria pelo lado direito, a meio temos a Dark Cave, um local que promove a preservação do habitat natural de fauna e flora nas grutas, e principalmente das espécies de morcegos que por aqui habitam.



Onde comer perto das Batu Caves
A fome já apertava, por isso fomos à procura de um restaurante para comer. E ao pé de templos Hindus o que há? Restaurantes indianos vegetarianos, claro! Por 10RM (2,5€) cada comemos umas deliciosas chamuças vegetarianas, chapati, uma folha de bananeira com arroz e vários tipos de caril de vegetais, e claro, vários molhos diferentes para humedecer o arroz de maneira a conseguir-se moldar melhor as bolas de arroz com a mão. Estava tudo óptimo!

Apanhámos o comboio de volta para o centro da cidade, onde não conseguimos deixar de tirar uma fotografia a um sinal de proibido muito curioso, o de proibido “beijar”! 🙂

Visitar Bukit Bintang
De seguida fomos até à zona de Bukit Bintang, mais propriamente aos shoppings de tecnologia, à procura de…uma prenda de anos para mim! 🙂 Tenho andado a viagem toda a namorar uns modelos de telemóveis, mas ainda não me consegui decidir qual o melhor, até porque os preços apesar de melhores que em Portugal, não são tão baratos como eu esperava. Aqui também não tive “sorte”, em Singapura é que é! Mas o passeio valeu para tirarmos mais umas fotografias ao nosso meio de transporte favorito em Kuala Lumpur, o monocarril com as suas pontes aéreas, que apanhámos de volta para o hotel.

Jantar no Ramadão em Kuala Lumpur
Para um jantar destes, tínhamos de nos vestir a rigor. Mas o rigor dentro das nossas mochilas não existe. Por isso, a Joana comprou um trapinho novo e eu pedi emprestado o ferro de engomar do hotel para passar a minha única camisa e umas calças de bolsos. Ficámos óptimos…para ir jantar a uma tasquinha de rua mais chique! 🙂 Mas somos turistas, por isso temos desculpa! E lá fomos nós para o jantar. Não sabíamos muito bem o que íamos encontrar, mas sabíamos que ia haver muita comida, provavelmente muita gente, e que tínhamos de chegar até às 19h para conseguirmos assistir ao ritual das pessoas encherem as mesas de comida antes do momento do iftar. Apesar de não termos ido de BMW ou Mercedes, como grande parte dos outros convivas, o nosso monocarril de pouco mais de 0,30€ deixou-nos a tempo e horas não muito longe do Royale Chulan Hotel, um luxuoso e apalaçado hotel de 5 estrelas perto de Bukit Bintang.


Mal entrámos na zona do restaurante, ficámos de boca aberta com a quantidade de salas e salões interligados cheias de mesas com pessoas e de bancadas com diferentes tipos de comida. Levaram-nos até à nossa mesa, e fomos imediatamente fazer o primeiro reconhecimento. Para grande espanto nosso, o que já tínhamos visto de pessoas e comida era menos de metade do total…ao passarmos por um corredor entre árvores e cascatas artificiais, entrámos num enorme salão com o telhado envidraçado, e com bancadas cheias de cozinheiros, mesas, travessas, bandejas, baldes, potes e pratos cheios de todo o tipo de comida em todo o redor. Acho que nunca tinha visto tanta comida junta num só restaurante. Talvez nos grandes buffets dos casinos de Las Vegas tenha visto quantidades de comida parecidas, mas não tanta variedade.
O buffet do Ramadão



Não conseguimos enumerar tudo o que existia, até porque muitos pratos não fazemos ideia o que fossem…Mas excluindo à partida o porco por razões óbvias, havia pelo menos, carnes de vaca, frango, codorniz, pato, borrego, coelho entre outras, confeccionadas de mil e uma maneiras. Um veado inteiro a assar no espeto, e bem bom que estava!

Várias variedades de peixe para grelhar no momento, bem como vários peixes já cozinhados. Sushi, sashimi, tempuras e afins. Marisco fresco como amêijoas, ostras e camarão de várias maneiras e feitios.

E caril de tudo e mais alguma coisa, desde vegetarianos a com marisco, acompanhados por várias variedades de arroz.

Massas frescas para confeccionar no momento com uma infindável opção de acompanhamentos. Bolonhesas, carbonaras, lasanhas e pizzas.

Pão de diferentes qualidades. Rotis, chapatas, naans no forno tandori, panquecas e crepes tudo feito na hora.


Dezenas de entradas diferentes e sopas chinesas, japonesas, tailandesas, malaias, etc.


E sobremesas…Bolos e sobremesas de várias cores, sabores e formatos, uns locais, outros internacionais. Muitas variedades de “kuih”, um tipo de sobremesas locais, e outros bolos e doces em miniatura.


Uma grande fonte de fondue com dezenas de doces, guloseimas e frutas à escolha para cobrir com chocolate.


Gelados de vários sabores, waffles, várias frutas cortadas no momento e até tinha uma máquina de fazer pipocas!
Isto tudo, tirando os muitos pratos e ingredientes que não fazemos ideia do que eram! Resumindo…um exagero de comida que não deu para provar nem um décimo do que havia…
Mas, como todos os outros, uns minutos antes das 19h30, estávamos sentados à mesa com os pratos cheios de comida (mas bem menos que os outros), e a contar os minutos para o iftar. Se a nós, que almoçámos, nos custou estar 5 ou 10 minutos a olhar para a comida e para a bebida sem lhe poder tocar, para todos os cumpridores do Ramadão devia estar a custar muito mais. De repente, telemóveis começaram a vibrar e a fazer sons (viva as apps de tudo e mais alguma coisa!) para avisar que estava na hora e alguém agarrou num copo e bebeu…estava na hora, mais coisa menos coisa, porque não há bem hora certa para o fim do jejum, é o pôr-do-sol!
Lentamente as outras pessoas começaram também a comer e a beber e nós fizemos o mesmo! E foi até não caber nem mais uma garfada…mas temos de admitir que a variedade era tanta, que chegou a uma altura que não sabíamos o que havíamos de experimentar mais e que ficámos cheios só de olhar…mas estava tudo muito bom! Viva o Ramadão! 🙂

Kuala Lumpur à noite
Como estávamos a abarrotar fomos dar um passeio pelos bonitos jardins do Kuala Lumpur City Park a caminho das Petronas, por entre condomínios e hotéis de luxo.

Acabámos a noite no Marini’s on 57, um bar no andar 57, o último da terceira torre do complexo das Petronas, depois de subir 3 elevadores diferentes! É o rooftop bar mais alto da Malásia, com bom ambiente e música boa, mas a vista sobre a cidade, e para as Petronas mesmo ao lado é que bate tudo! As Petronas são bonitas de dia e de noite, de cima ou de baixo, iluminadas ou não! A Joana bebeu um Cocktail e eu, por mais estranho que pareça, bebi água com gás! Uma iguaria rara e cara no Sudeste Asiático, e que eu, apesar de adorar, já não bebia desde que viemos para aqui, há dois meses e meio! Depois de um jantar daqueles, soube mesmo mesmo bem!



E assim se passa um aniversário numa cidade maravilhosa, felizmente na companhia de uma pessoa maravilhosa! 🙂
Depois deste dia incrível, era tempo de fazer as malas e continuar a viagem até Malaca.
1 comentário
Aniversário muito bem passado! Nunca mais te vais esquecer deste dia de anos 😉 Beijinho aos dois