O primeiro acordar na Malásia custou mais que o normal…porque perdemos uma hora de sono! Pode parecer que não, mas uma hora a mais no fuso horário, principalmente depois de madrugarmos no dia anterior, faz diferença ao acordar. Mas ainda acordámos a tempo do pequeno almoço do hotel na China Town, o Lantern Hotel. Apesar de não ser um banquete, tem umas torradas de pão de forma alto e fofo, que cheias de manteiga (finalmente normal e com sal) ficam um espectáculo! Oferecem também fruta e uma bebida à escolha do café do hotel como chá , chocolate quente ou frio, Caffé Latte, Cappucino, etc. E bem bons que são! Mas a cereja no topo do bolo é mesmo a varandinha com vista sobre a China Town onde se toma o pequeno almoço! Um espanto, comer e preparar o dia de passeio ao som desta azáfama de que faremos parte não tarda nada!

Depois de muito tempo passado na varanda a, muito calmamente, definir o plano para os próximos dias, decidimos reservar o hotel por mais duas noites! Não foi fácil, porque o hotel está completamente lotado nesta última semana do Ramadão, mas conseguiram que ficássemos mais duas noites sem termos de mudar de quarto! Mas chega de ficar na sorna no hotel e vamos mas é passear!
O que ver em Kuala Lumpur
Central Market de Kuala Lumpur
Começámos pelo Central Market, um mercado em funcionamento desde 1888 e que, ao longo dos tempos, foi expandido e renovado, sendo agora um mercado 100% turístico dentro de um bonito edifício cheio de história. Os preços não são atractivos, mas dada a variedade de souvenirs, artesanato, pinturas e outras obras de arte consegue-se ter uma visão alargada da arte e cultura malaia.



Mesquita Jamek, Kuala Lumpur
Não muito longe, e na confluência dos dois rios que dão o nome a Kuala Lumpur, fica a Mesquita Jamek, a mais antiga da cidade, construída em 1907. Fomos recebidos por uma muçulmana que falava um perfeito “American English”, e que nos informou que dentro de poucos minutos iam fechar para a oração, mas que ainda podíamos visitar (o exterior). Para quem (principalmente as mulheres) não vem prevenido, eles emprestam robes com capuz, mas no nosso caso não foi preciso porque a Joana anda sempre com um casaco e um lenço para estas ocasiões. Para entrar, temos também que escrever o nome e nacionalidade num “livro de ponto”. Passadas as formalidades, começámos a visita. É uma mesquita pequena, toda em tijoleira e com uns bonitos e trabalhados minaretes, e que rapidamente se vê.


À saída pusemo-nos a ver uma bancada com folhetos sobre o Islamismo, como por exemplo, “A verdade sobre Jesus Cristo” e “O porquê do Ramadão”, e um jovem veio ter connosco e ofereceu-nos duas garrafas de água e dois pequenos sacos com um número ímpar de tâmaras, que segundo ele, é a primeira refeição diária dos Muçulmanos após o Jejum, chamada de Iftar. Nós vimos uns acabarem o Jejum a comer Big Macs, mas já chego a essa parte! 🙂 Ele também nos informou que apesar de eles não poderem comer e beber até ao por do sol, nós podíamos por não sermos Muçulmanos. E aqui está algo que temos achado muito interessante e positivo em Kuala Lumpur. A grande mistura de origens malaia, indiana e chinesa que aqui (e no resto do país) existe, e a consequente mistura de religiões, torna as pessoas muito mais abertas e tolerantes! Muito bom! Também gostei do gesto de oferecerem água e tâmaras, apesar de eles não poderem comer ou beber, até porque comparando com a igreja católica, a única coisa que alguma vez me ofereceram foi uma “bolacha”, e tive de me por numa fila para a receber! 😛

Merdeka Square, Kuala Lumpur
Saídos da mesquita, fomos até à Merdeka Square, também chamada de Praça da Independência! Esta praça é o coração da cidade e também da história do país, porque foi aqui que, à meia noite de 31 de Agosto de 1957, foi hasteada pela primeira vez a bandeira da Malásia, após ganharem a independência dos Ingleses. Em memória desse dia, foi colocado um mastro com 100m de altura (o maior do mundo), no exacto local onde a bandeira foi inicialmente erguida. Perto do mastro, existe também a antiga fonte Rainha Victoria, construída pelos Ingleses para celebrar os 60 anos de reinado da Rainha, mas que agora se chama apenas Victoria. Curiosamente esta fonte, que inicialmente estava na Market Square, foi movida para aqui porque empatava o trânsito.


Na praça, existe também um enorme relvado onde os Ingleses faziam jogos de Cricket, e que agora é utilizado como zona de lazer, de eventos desportivos, de concertos e de celebrações oficiais. À volta deste relvado existem doze antigos edifícios construídos no tempo do colonialismo, e dos quais se destaca o imponente Edifício Sultão Abdul Samad. Construído em 1897 pelos Ingleses como sede do Governo, tem uma torre do relógio com 41m de altura, apelidada de Big Ben.


Um outro antigo e bonito edifício, também construído pelos ingleses, é o da Galeria da Cidade de Kuala Lumpur, que tem mesmo à entrada um gigante “I Love KL” de propósito para se tirar umas boas fotografias. O bilhete de entrada custa 5RM (1,25€), que no final pode ser descontado numa compra no café ou na loja de souvenirs. Ou seja, é “grátis”! Entrando, começamos por ver várias fotografias e textos a descrever a evolução da cidade, desde uma pequena povoação mineira até ao centro da administração Britânica da Malásia. Logo a seguir temos uma maquete da mesquita Jamek e mais à frente uma exposição de vestidos e tecidos com decorações em Batik da Malásia.




Mas a grande atracção da Galeria é mesmo a maquete da cidade de KL em miniatura, com um espectáculo de luz e som, em que vemos projectada na parede alguma informação interessante sobre o passado, o presente e o futuro da cidade, como por exemplo os próximos arranha céus que estão planeados e/ou já em construção, e o comboio de alta velocidade para Singapura. É tão giro, que todos os presentes (nós incluídos) viram o espectáculo duas vezes! Para construir os 5000 edifícios que compõem a maquete foram precisas 100 pessoas e um ano!


Onde comer em Kuala Lumpur
Já passava bem da hora de almoço e então fomos à procura de um sítio para comer. Ao passarmos na zona da Little India, a norte de China Town, vimos um enorme forno Tandori com Naans a sair de lá de dentro. Estava escolhido! Mal entrámos deram uma pratada de arroz basmati a cada um e disseram-nos para tirar a carne que escolhessemos da zona do buffet. Caril de frango para a Joana e de borrego para mim, com Garlic Naan e Lassie de Manga a acompanhar…Estávamos de volta à Índia! 🙂 Curiosamente, por todo o restaurante podíamos ver cartazes a indicar que se fossemos muçulmanos, não podíamos comer até às 18h por estarmos em altura de Ramadão. Ao contrário do Dubai, que está tudo fechado, excepto alguns restaurantes de hotéis, aqui os restaurantes estão abertos, simplesmente estão proibidos de servir muçulmanos. Felizmente para nós, e para os outros indianos (não muçulmanos) que estavam no restaurante a comer! 🙂

Transportes em Kuala Lumpur
De barriga bem cheia estava na hora de seguir caminho e apanhar um dos muitos possíveis transportes públicos. Kuala Lumpur tem uma óptima rede de transportes, desde comboios a monocarris, metro e autocarros, onde talvez os autocarros sejam os piores, tanto em conforto, como em rapidez ou pontualidade. Isto porque Kuala Lumpur tem sempre filas de trânsito, que se tornam em autênticos engarrafamentos nas horas de ponta. Era o que eu dizia do Vietname há uns tempos…”quando as scooters forem substituídas por carros, vai dar asneira…” E aqui, principalmente no centro da cidade, já deu! Mas felizmente têm conseguido atenuar o problema com os metros aéreos e subterrâneos, o que resulta em números giros: o monocarril transporta em média 5000 pessoas por hora e o Rapid Rail 150.000 pessoas por dia.


Mercados do Ramadão
E onde estávamos a ir? Por sugestão da recepcionista do nosso hotel, a meio da tarde fomos até aos mercados do bairro Lampung Baru, onde vive uma grande comunidade muçulmana, ver como é a vida durante o Ramadão. Chegados à nossa estação, tivemos mais um avistamento das gémeas…apesar de não serem tão altas e imponentes como o quase absurdo Burj Khalifa no Dubai (uma pessoa sente-se mesmo minúscula ao pé daquele quase um quilómetro de prédio), as Petronas são bonitas de se ver de qualquer ângulo!

Chegados ao mercado, percebemos o porquê da sugestão, que é claro, gira à volta do Ramadão. Nesta época do ano, muitos países muçulmanos entram numa espécie de standby, algumas lojas e empresas não abrem, outras fecham mais cedo, ou abrem mais tarde, as pessoas são menos produtivas, etc. E aqui, apesar de não ser tão notório, também afecta a vida das pessoas. Assim, os muçulmanos saem mais cedo do trabalho para descansar e vão…para os mercados comprar resmas de comida, ou sentar-se à mesa nos restaurantes cheios de comida e bebida à frente à espera do iftar, o momento em que podem finalmente comer. E por isto mesmo há mercados que só existem, ou que crescem e muito, no mês do Ramadão. E este é um deles, são ruas e ruas cheias de bancas de comida e de restaurantes de rua, cheios de pessoas em fila para comprar comida. E há variedades infindáveis de comida, desde caris de vegetais, carne ou peixe a borregos inteiros assados no espeto. Mas nada com porco, claro!



Agora eu pergunto-me…como é que é possível passar-se a manhã a cozinhar e a tarde toda a vender (e a comprar) comida sem lhe tocar desde o nascer ao por do sol…?! Não sei, mas sei que eu não era capaz de o fazer durante um mês! Tenho de admitir que há aqui uma grande dose de sacrifício e de força de vontade envolvidas, e que são de louvar, mas há uma coisa que me ultrapassa…não beber nada, nem sequer água o dia todo, e com este calor?!
Com o passar dos minutos, mais e mais pessoas enchiam as ruas, a comprarem comida ou a passearem cheias de pequenos sacos de comida e bebida, mas todos fechados. E também mais e mais pessoas enchiam os restaurantes, e mais comida e bebida ia chegando às mesas, mas tudo intacto. É um “espectáculo” muito curioso de ser ver! Mesmo! Mas lá no fundo, vê-se que algumas pessoas estão em “sofrimento”, a contar os minutos para poderem voltar a comer ou a beber. E ficam sentadas no restaurante uma hora, duas horas, à espera, sem fazer mais nada do que esperar pelo momento do Iftar. Não estão a rezar, não estão a conversar, estão somente a deixar o tempo passar…


Durante o nosso passeio de descoberta do Ramadão da Malásia, vimos uma banca a vender pó de arroz com côco ralado e caramelo cozido a vapor dentro de canas de bambu, ou Putu Bambu. Algo estranho, mas cheirava tão bem que não pudemos resistir. Pusemo-nos na fila, e fomos reparando que tiravam os cilindros cozinhados de dentro do bambú e enrolavam em folha de bananeira, antes de entregarem ao clientes. Quando chegou a nossa vez, comentaram qualquer coisa entre eles, e deram-nos o nosso por enrolar…porque o íamos comer naquele momento! Mas, depois de passarmos tanto tempo neste ambiente de jejum, aconteceu-nos algo curioso…não conseguimos comer em frente às outras pessoas, e então procurámos um sítio resguardado para comer. Parvoíce talvez, até porque aqui estas diferenças são aceites, mas no momento foi o que nos pareceu mais correcto. E o Putu era muito bom!


Fim do jejum no Ramadão
Com o aproximar do por do sol, as ruas foram ficando mais calmas, até porque muitas das bancas já tinham vendido tudo, mas em contrapartida os restaurantes estavam cada vez mais agitados, lotados e com pratos e travessas a chegar às mesas. Às 19h30m começou a ecoar pelas ruas, e também nos rádios dos restaurantes, o Adhan, o chamamento para a oração. No segundo seguinte, e após juntarem ambas as mãos em agradecimento, o ataque à comida e bebida começa, e novamente vêem-se sorrisos e rapidamente a boa disposição e a conversa animada. É um momento de alegria e de comunhão com família e amigos, uma espécie de noite de consoada, mas todas as noites durante um mês. Se só contarmos com esta parte, nem parece mau de todo! 🙂 Curiosamente, vimos pessoas que em vez de primeiro comer ou beber, o que fizeram foi fumar um cigarro! Vícios…! 🙂 E “toda” a cidade pára uma meia hora…
De regresso ao hotel, fomos dar uma espreitadela à nossa varanda preferida para ver a vista sobre a China Town de noite, e acabámos a jantar comida chinesa mesmo à porta do nosso hotel, virados para os grandes balões chineses que estão pendurados no tecto do hall exterior, e que de noite estão iluminados. São as lanternas que dão o nome ao hotel!



Kuala Lumpur à noite
Ainda deu tempo para voltarmos à Merdeka Square, para ver os edifícios iluminados de noite, que ainda ficam mais bonitos e, por sorte, estava a decorrer um concerto ao vivo de música Malaia, que aproveitámos para ver e ouvir durante um bocado…Percebemos também que a praça é um local escolhido por muitos locais para passear pelo relvado, jogar à bola ou simplesmente sentar a conversar. E que é o local de concentração de muitos motards, nas suas scooters alteradas que fazem muito mais barulho que o normal, apesar de continuarem a não andar nada.



Foi mais um dia bem passado em Kuala Lumpur! Mas mais alguns estavam por vir, que cidade incrível! Descobre aqui os nossos dias seguintes em Kuala Lumpur!