De slow boat pelo Mekong
Dormimos mal aqui em Huay Xai, Laos. Um calor que só se suportava com uma ventoinha de tecto que parecia um avião a levantar voo… O que vale é que tínhamos pela frente uma viagem de barco de 6 horas para descansar e apreciar as vistas.
Saímos cedo com a mochila às costas para o porto para comprar o bilhete para o slow boat que saía às 11h. Por toda a vila fronteiriça de Huay Xai as lojas e guest houses vendem bilhetes mas com uma taxa em cima. A 1km do centro, mesmo no porto, comprámos os bilhetes por 110 000 Kip cada um. Lá se foi o nosso milhão! 😉
Enquanto esperávamos, tomámos o pequeno almoço numa varanda sobre o rio Mekong, uma sandes e um sumo de melancia fresquinho! Ainda faltavam umas horas para a partida por isso fomos até ao mercado comprar merenda para a viagem. Devia ser cedo demais, ainda só havia bancas de legumes… :/
Acabámos por voltar para o café inicial, de onde levámos uma sandes e um Fried Rice embalados para a viagem. Ali ficámos à varanda, a admirar a azáfama de jangadas e barcos que atravessam o rio, levando e trazendo pessoas, carros e mercadoria da Tailândia, de Chiang Khong para Huay Xai, aqui deste lado no Laos e vice versa. Esta travessia aqui só é autorizada a locais dos 2 países, os estrangeiros têm sempre de passar a fronteira entre a Tailândia e o Laos pela Friendship Bridge 4 que fizemos ontem.

Às 11 horas, descemos para o barco que ainda estava vazio. Chegámos a pensar que iríamos quase sozinhos mas ainda estavam por chegar muitos turistas que só atravessaram a fronteira hoje. Saímos já depois das 11h30 com o barco quase cheio, cerca de 80 alminhas a bordo!
Estes slow boats que fazem o trajecto entre Huay Xai e Luang Prabang são os antigos barcos de madeira de carga, movidos a diesel, agora adaptados para turistas que preferem os 2 dias de viagem com as vistas do Mekong do que os 500 km de estradas mal alcatroadas do Laos.
A partida de Huay Xai para Pakbeng pelo Mekong
A viagem começa logo de forma emocionante pois para conseguirmos sair do porto, temos de empurrar os barcos que estão ao lado do nosso…a ajuda dos passageiros é imprescindível! 🙂
Parece que hoje tivemos sorte no barco. Há uns com bancos de madeira, mas o nosso tem bancos de automóvel que não vão sequer presos ao chão do barco, mas até vão quietos e são bem confortáveis! 🙂
Na parte de trás do barco comprido temos uma casa de banho, um quarto e uma cozinha porque não é só um barco, é uma casa também! Aliás, a família do “comandante” anão e descalço (isso vamos todos, é obrigatório!) também vem no barco/na casa!
Lá para trás vai também o motor, numa barulheira infernal… Aqui à frente vai-se melhor! 🙂
A vista é realmente maravilhosa. Nas margens do rio, às vezes florestas tropicais, autênticas selvas virgens e aqui e ali surgem pequenas casas, na maioria apenas cabanas. Onde há aldeias, há crianças a brincar no rio que nos acenam felizes! Já nos apetecia um mergulho também mas o lixo a boiar no rio e junto à espuma duvidosa, diz-nos que se calhar não é boa ideia molhar sequer os pezinhos no Mekong.
Há pescadores de rede ao longo do rio, vacas e búfalos de água nas margens e ao fundo montanhas, muitas montanhas. Afinal, é o Laos!
O Mekong é largo mas de vez em quando aparecem umas grandes rochas que obrigam o piloto a fazer serpentear a nossa barcoleta de madeira.




Vão também passando outros barcos, os speed boats, muitos estarão a fazer o mesmo trajecto que nós mas muito mais depressa. Os relatos de acidentes mortais daqueles barcos não nos deixaram dúvidas sobre a escolha do slow boat. 😉
É um passeio bonito, e se não fossem os americanos barulhentos aqui ao nosso lado era até bastante relaxante. :/
Ao fim de 4 horas de viagem, a maioria dos turistas dorme (eu também já passei pelas brasas), uns comem e bebem cerveja do Laos, claro…

A chegada a Pakbeng no meio do nada no Laos
Depois de 3 paragens em aldeias no meio do nada em que o barco encostou à margem só para deixar mercadorias, ainda não são 18h e já estamos a chegar a Pakbeng, a paragem de pernoita a meio da viagem. Antes de sairmos do barco, já nos acenam da margem com fotografias de guest houses.
Mal encostamos ao cais, começam a sair do alçapão as malas dos passageiros. Todas, uma a uma, menos a minha… O homem faz-me sinal que não há mais malas para sair e eu tento explicar que falta a minha!! Ao fim de apenas 2 semanas ficar já sem mala, sem roupa, sem nada… Vi a minha vidinha mal parada porque ele dava o caso por encerrado “não há mais malas por sair, adeus”. Felizmente, as mulheres salvam sempre a situação: a mulher do comandante desce para o buraco, desaparece por baixo do chão e acaba por reaparecer ao fim de uns minutos com a minha mochila, bem suja, mas lá apareceu! Respiro de alívio! Já me safei! 🙂
Subimos até ao centro da vila e depois de vermos 3 guesthouses, regateamos e ficamos com um quarto por 50000 kip, quase 6 euros pelos dois. É básico mas suficiente, amanhã o barco sai bem cedo para a segunda longa parte da viagem.
Esta pequena terra vive só disto, da passagem do barco. Ali mais nada há a fazer senão sentarmo-nos no cais, a olhar o Mekong, com a noite a cair e os mosquitos a atacar em força. Ainda assim deliciamo-nos com esta paisagem neste fim de mundo! Amanhã continuamos a descida do rio para Luang Prabang! 🙂


3 comentários
Afinal foi só um susto. Faz parte da aventura. Beijinhos e continuação de boa viagem
Pagar para desviar barco… 🙂
Tenho andado a seguir esse vosso blog, e estou mesmo a pensar fazer esta descida do rio mekong… Tem isto tudo bem explicadinho, como o povo gosta 🙂 mas mesmo assim tenho algumas dúvidas, isso se me puderem ajudar era um espectáculo 😀
1º – Acham possível na manhã sair de Chiang Rai e chegar a tempo de apanhar o Slow Boat em Huay Xai? o tempo é curto e se puder evitar de perder um dia era óptimo… 😀
2º – Vocês dizem aqui que conseguiram bilhete por 110K Kip por pessoa… em outros sites dizem que custa 240K… estou meio confuso.. 😀
Grande Abraço e continuação de boas aventuras…